Destaque Single || Os 45 rotações do boom
Pizolizo - 'Bomba nuclear não!' / 'Sangue no meu mundo', Edisom, 501303

Capa single (clicar na imagem para mais).



A banda:

Mário Pimenta
Vocalista e baixo

Alfredo Zé
2º Baixo,

Rui Gouveia
Guitarra

Carlos Perú
Bateria



Pizolizo - 'Bomba nuclear não!' / 'Sangue no meu mundo', Edisom, 501303
Os Pizo Lizo nas Comemorações do 25 de Abril, em 1981 e em Vila Franca de Xira.

(fotografia cedida por João Paulo Levezinho)

Bomba Nuclear Não
PIZO LIZO

Classificação: 4,5 estrelas

Audição: Vinil



O som Metal consolidado no balanço do Rock
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© António Luís Cardoso [Maio.2010]


Ainda mais do que nos LPs, podemos encontrar neste formato vários grupos com um som mais pesado. Uns por filiação ao género e, muitos outros, por aquilo que podemos simplesmente apontar como um piscar de olhos ao hard (esta questão dos rótulos é sempre adversa, mas também lá fora há bandas que não enveredando directamente pelo estilo hard ou heavy, têm, em muitas músicas e/ou álbuns, um som similar: basta lembrar Jethro Tull, Queen ou, mais recentemente, Guano Apes ou Muse). Se uns C.T.T. (com "Destruição") ou uns "Xutos & Pontapés" (principalmente com o primeiro single) acenam à fúria das guitarras e uma bateria compulsiva, bandas há que fazem (por opção) o culto do género: Xeque-Mate, Ferro & Fogo, TNT, NZZN, Abismo, etc. A escolha do presente single prende-se com a memória ainda hoje resistente de uma canção de um destes grupos e que – em registo discográfico, infelizmente – nada mais nos legou.



O disco
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Pizo Lizo - 'Bomba nuclear não' O presente disco dos Pizo Lizo, fica como um dos momentos de rádio e tv das memórias do 'boom'. Atacando um tema tão apadrinhado à época e que ainda atravessará a década de 80, o tema do lado A deste single dava uma claríssima nega à bomba nuclear.

A questão nuclear tornar-se-á um profundo temor das gerações de então, levando diversos artistas, movimentos e partidos políticos a manifestarem-se abertamente contra. Um desses movimentos, nos anos 80, será "Amar o Tejo, Viver a Paz" e músicos tão diversos como Lena d'Água, Da Vinci, Manifesto e (mais tarde, no fim dos anos 80), Peace Makers, criarão canções emblemáticas.

Voltando aos Pizo Lizo, fizeram-no de forma agreste e cativante, num misto rock e hard, com a particularidade de se destacarem na sua sonoridade dois baixos.

Quando o instrumentista da voz se calava para dar lugar ao solo da guitarra do Rui, sobravam uma bateria e duas guitarras baixo,... era aqui então, que acontecia a magia, a maravilhosa harmonia, a paixão do nosso som Metal consolidado no balanço do Rock (sem ferrugem)... até porque apenas havia mais uma banda no mundo a fazer isto, imagine então... a bateria ritmava com o balanço do Carlos, numa dança envolvente do baixo melódico e firme do Mário em desafio com o baixo rítmico que que o Alfredo desbundava, por vezes dedilhado.

Excerto de entrevista dos Pizo Lizo, pelos elementos Mário Pimenta e Carlos Perú, a publicar em Junho, no museu.

Não será a batida mais pesada de outras bandas portuguesas do 'boom' (NZZN, Ferro & Fogo, ...), mas é decerto, plena de uma sonoridade agressiva e eléctrica, inteligentemente ritmada pelos dois baixos e uma bateria segura, com a guitarra em fundo e a voz, imperativa, repisando o refrão "Bomba nuclear não!", num registo curioso, desbravando muitos anos antes um território que os Mão Morta explorarão: o de um discurso cantado em tons graves, quase irónico, quase surreal.

O tema do lado B também é inaugurado por uma guitarra forte, acompanhado pela bateria e o despique dos baixos; a voz mantém o mesmo registo e há ainda direito a repetição de protagonismo da guitarra, em solo. Destaque ainda para a letra, onde consta o curioso verso: "rasguem os ministros, quebrem as leis", mostrando, também aqui, acuidade na crítica social.

Teria sido interessante ver a evolução desta banda, mas, como a grande maioria, foram engolidos pelo fenómeno. Como poderemos ver em Junho – na citada entrevista –, chegou a estar preparado um LP...


A capa
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A capa é impressa a duas cores directas – preto e laranja –, sendo que o nome da banda surge como um logótipo no topo. As fotografias têm muito de "rock'n'roll", com os quatro elementos ora a espreitar em bloco de uma janela (capa), ora em pose estudada (contracapa), constituindo em si a força gráfica de todo o conjunto, com uma tipografia equilibrada.


Bibliografia:
ARISTIDES, Duarte, "Memórias do Rock Português", ed. autor (3.ª), 2008

Links:
Música Portuguesa - Anos 80
Blog Pizo Lizo

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Em jeito de remate: a classificação que vou atribuindo aos discos serve apenas como referência, uma "bitola" pessoal que, diga-se em abono da verdade, tem muito mais a ver com uma saborosa nostalgia e gosto próprios do que qualquer opinião especializada.
museudobooom@gmail.com