Destaque Single || Os 45 rotações do boom
Fernando Girão - "O Velhinho moderno"
Capa e contracapa do single

Single
VN-2030ES
Editora: Vadeca
Ano: 1981



Rui Trindade


Ver entrevista de Rui Jorge Trindade, guitarrista dos Iodo,


Malta à porta
IODO

5 estrelas

Audição: Vinil



Um êxito sem refrão
© António Luís Cardoso [01.Outubro.2009]



O disco
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Deve-se a este disco, o primeiro dos três que os Iodo editaram, o catapultar da banda para o sucesso. Logo depois segue-se "A canção" (gravado nas sessões de "Malta à porta"), single editado por pressão, ou melhor, decisão da editora, na esperança de novo sucesso. "Manicómio", o LP, surge já com alterações na formação inicial e, tal como o registo anterior, não consegue suceder ao disco em análise aqui.

A história subjacente às pressões da editora e ao facto do sucesso súbito ter precipitado um cenário que, em última análise, prejudicou e extinguiu a banda, é similar a muitos e muitos projectos de então. E, no caso dos Iodo, podem constatar em primeira mão no blogue sobre a banda da responsabilidade do seu guitarrista, Rui Trindade. Ou, também na entrevista que o músico deu ao museu.

Mas aquando da edição de "Malta à porta", ainda nada do futuro se adivinhava e o presente era fantástico: estávamos no ano de ouro do "boom", 1981, e acontecem o sucesso, a rodagem nas rádios, a participação em programas de televisão, a gravação do famoso videoclipe (teledisco!) numa praia da Costa da Caparica e concertos um pouco por todo o país com actuações cénicas extravagantes incluindo fatos próprios.


O disco, em abono da verdade, mereceu tal exposição mediática, revelando um tema poderoso, onde o piano e as vozes, marcas que serão tão caras à banda, surgem imponentes, mas com arranjos e restantes instrumentos em evidência. Prometia muito este "Malta à porta". No "Malta à Porta", não temos um tema com o corpo habitual numa música comercial ou formal se assim podemos chamar. Ou seja, com introdução, estrofes, refrão e final, e eventualmente um solo a meio. Temos no nosso hit vários fragmentos colados, entre malhas imaginadas individualmente e juntas em grupo. O tema não tem refrão. Tem uma repetição da frase vejo malta à porta, mas que não considero refrão.

Rui Jorge Trindade

O lado B era igualmente interessante e dava pelo nome "Aqueles dias".

Os temas surgem assinados por toda a banda: Luís Cabral, Alfredo Antunes, Topê, Rui Madeira e Rui JorgeTrindade, embora o lado B, conforme escreve Trindade no seu blogue, tenha sido de sua autoria e de Topê.


A capa
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A capa , sobre um fundo azul, reproduz uma foto da banda dentro de água, na sequência do teledisco referido, numa praia da Costa da Caparica. A composição gráfica é equilibrada, embora com pouco arrojo, sendo depois recuperado o conceito, desta feita sobre fundo laranja, para o segundo single da banda.
A foto é de Luís Vasconcelos e o arranjo gráfico de Victor Lages.

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Citação retirada do blogue de Jorge Trindade:

Rui Jorge Trindade, enquanto músico do Iodo


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Em jeito de remate: a classificação que vou atribuindo aos discos serve apenas como referência, uma "bitola" pessoal que, diga-se em abono da verdade, tem muito mais a ver com uma saborosa nostalgia e gosto próprios do que qualquer opinião especializada.
museudobooom@gmail.com