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Dar e receber
A insistência em ser Variações

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© António Luís Cardoso [11.Abril.2010]


Em 1982, António Variações surpreendeu Portugal inteiro com o seu single de estreia, "Estou Além"/"Povo que lavas no rio" (veraqui), um duplo lado A inovador e irreverente. A sua imagem excêntrica – já antes provada no programa de televisão "Passeio dos Alegres" de Júlio Isidro, com uma extraordinária actuação apresentando as maquetas "Toma o comprimido" e "Não me consumas" – continua no trabalho seguinte, o LP "Anjo da guarda" (veraqui)), acrescida ainda de uma qualidade e inovação notáveis, aliando, entre muitos outros condimentos, pop-rock à música tradicional portuguesa.

E é já numa altura em que está muito debilitado que é lançado "Dar e receber", o 2º álbum que, depois da colaboração de elementos dos GNR e Salada no LP de estreia, tem agora a participação dos Heróis do Mar.

Na crítica que surge na revista "Música & Som", da autoria de Carlos Marinho Falcão, há um elogio contido ao artista, talvez próprio de uma certa crítica que, rendida, não sabia ainda bem lidar com um fenómeno pouco rotulável. Afinal era rock, pop ou música popular? Percebe-se a ideia geral do texto, na qual se refoça que Variações continua o seu trilho, o tal "ser ele mesmo", mas quando refere um estilo "mais controlado", Falcão falaria de quê? É que utilizar a palavra controlo ou qualquer derivação verbal daí resultante na arte – e na música em particular –, cheira a instituição, a acomodação e, isso, não me parece que fosse a ideia de Variações.

O álbum é pontuado com nota 4 (numa escala de 1 a 5) por três críticos da revista: o referido autor da escrita, Ana Rocha e Célia Pedroso.

Crítica de Rui Monteiro
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