Rock português: filhos de um pai desconhecido? Breve História do 'boom' em dez passos.
Do culto ao hard-rock.
IX. Do culto ao hard-rock

São ainda de recordar, claro está, as bandas de culto que já vinham com registos gravados dos 70: Tantra – que curiosamente lança, em contra-corrente, o álbum "Humanoid Flesh", todo cantado em inglês, quando só o havia feito, nos registos anteriores (o single XXX e os LPs "Mistérios e Maravilhas" e "Holocausto"), em língua portuguesa –, Go Graal Blues Band, Arte & Ofício e Ananga Ranga. Tantra e Arte & Ofício terão, inclusive, algum despique entre fãs, quase como uma "clubite", ainda nos anos 70.

Os Ananga Ranga são um grupo mais vocacionado para o jazz-rock, embora os dois singles da banda (anteriores aos LPs "Regresso às origens" e "Privado"), tenham – por imposição da editora – temas mais comerciais; "Fascínio" chega mesmo a lembrar Green Windows.

Quanto aos Arte & Ofício, quando editam o single "Marijuana" (1980) e o seu segundo álbum, "Danza" (1981), em pleno boom, já o vocalista António Garcez milita noutra banda, Roxigénio. Para trás haviam ficado os singles "Festival", "The little story of litlle Jimmy", o maxi-single (então descrito como super-single) "Come hear the band" e o LP "Faces" (todos da década de 70). Entretanto, o outro elemento carismático dos Arte & Ofício, Sérgio Castro, fundará (como vimos no ponto anterior) paralelamente e com mais sucesso, os hilariantes Trabalhadores do Comércio.

Go Graal Blues Band ao vivo em 1979 (Arquivo RTP)Os Go Graal Blues Band começam, fazendo jus ao nome, dedicados ao blues e quando Paulo Gonzo se torna a voz principal, em "Blackmail", por exemplo, surgem mais pesados e rockeiros.

Xeque-Mate – 'Filho do metal'(arquivo RTP)Embora, neste particular, outras bandas tenham sido pioneiras do (chamado) hard-rock nacional: Ferro e Fogo, Seilásié, Xeque Mate ou NZZN. Todos estes gravaram álbuns (sendo que os Xeque Mate já no tardio 1985, longe do "boom", onde haviam feito sucesso com o single "Vampiro da uva"), percebendo-se aqui e ali uma qualidade possível; as falhas maiores eram as de sempre naquela fase conturbada: letras e músicas feitas sobre o joelho, para vender e gravações rápidas, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte.

Regressando aos Tantra, registe-se a curiosidade de no seu álbum "Humanoid Flesh", de 1981, participar ainda como elemento da banda Antóno José de Almeida e, como músico convidado, Pedro Ayres Magalhães (aparecendo como "Dedos Tubarão", nome que provinha dos Corpo Diplomático), ambos fundadores dos Heróis do Mar nesse mesmo ano.

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