Rock português: filhos de um pai desconhecido? Breve História do 'boom' em dez passos.
O canto do cisne.
X. O canto do cisne

CTT - 'Destruição' Iodo - 'Malta à porta' (teledisco do programa 'Vivamusica')<br />Foi pena não se terem desenvolvido alguns projectos; as propostas 'punk' dos Aqui d'el Rock (já anteriores ao fenómeno do 'boom') ou Speeds, por exemplo. Mas também os Street Kids, claro, os Iodo, os Opinião Pública e os FM. Até a versão rock dos CTT ou a música mais consumista de uns Rock&Varius (Roquivários) prometia mais. Todos estes conseguiram gravar álbuns mas a voragem do tempo não lhes permitiu melhor.

Em 1982, aliás, publicaram-se mais álbuns de música portuguesa do que alguma vez voltararia a acontecer. Só dentro do espírito do “pop-rock português” foram cerca de três dezenas. Sem incluir os chamados baladeiros (José Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, etc.), Jorge Palma, Amália Rodrigues e outros (música popular, ligeira, fadistas, etc.). Essas três dezenas foram já o canto do cisne de um tempo curto, voraz, ainda reflexo do ano anterior – de efémero ouro para a indústria discográfica –, tentando em muitos casos confirmar os singles de sucesso, mas... sem o sucesso que permitisse outros vôos.

Rádio Macau – 'Acordar'Os anos posteriores foram o esvaziar de um balão, nascendo, no entanto, muitas outras propostas (Sétima Legião, Rádio Macau, Mler Ife Dada, Pop Dell'Arte, Delfins, etc.). Algumas directamente ligadas à sala de concertos lisboeta “Rock Rendez Vous”, que lançará a editora Dansa do Som. Mas não mais haverá outro fenómeno similar ao “boom”.

Atendamos às palavras dos Trovante que encontramos no verso da capa de “Cais das colinas”, editado em 1983, já no rescaldo do que haviam sido os anos anteriores, os tais que passaram como se o mundo fosse acabar de um dia para o outro, catapultando-se singles e álbuns do rock português a um ritmo alucinante para o mercado. Podia ser um epílogo – sem ser um fim – desses anos da música portuguesa, e, seguramente um belíssimo "epitáfio" do 'boom'. Escreveram eles:

“(Diz-se que a linha do horizonte se afasta à medida que se avança...) Nesta viagem da Música Portuguesa, uns partiram primeiro, outros depois, mas em nenhum ficou alguma vez a sensação de ter chegado ao fim. Este disco é especialmente dedicado a todos os companheiros de viagem, músicos, compositores, cantores, poetas, técnicos, e todo o pessoal que ajuda o barco a ir para a frente, e também a todos aqueles que ficaram pelo caminho e que continuam viagem connosco através de tudo o que aprendemos com eles".

______

Seguir
O Boom // Breve História em dez passos: 01 | 02 | 03 | 04 | 05 | 06 | 07 | 08 | 09 | 10
museudobooom@gmail.com