Rock português: filhos de um pai desconhecido? Breve História do 'boom' em dez passos.
Rui Veloso e António Manuel Ribeiro
I. Uma questão de paternidade

Rui Veloso - 'Chico Fininho' (ao vivo na Amadora).Há algo que se revela incontornável: há um antes e depois do 'boom'; seja o pai Rui Veloso (que nunca o quis ser) ou o criador de “Cavalos de Corrida”. Que funciona não só para a música moderna portuguesa, mas também para a generalidade dos sons nacionais que ocuparam as ondas 'hertzianas' de então e até hoje. Aliás, considero estéril a discussão. Até por uma lógica da batata: se houve um “boom”/explosão, é porque havia já rock antes. Acontece simplesmente que resolveu, ou antes, resolveram por ele, explodir no início da década de 1980.

Rui Veloso, aliado ao reconhecido talento, tem a felicidade, com o seu “Chico Fininho”, de chegar à ribalta e, com tal sucesso, arrastar dezenas e dezenas de ideias e projectos.

Para muitos, será então António Manuel Ribeiro o verdadeiro detonador do 'boom', não por um primeiro mega-sucesso, mas sobretudo face a toda a importância que os UHF têm em 1979, com um single gravado ("Jorge Morreu") e já com equipamento próprio (que cedem a outras bandas, como os Xutos & Pontapés, por exemplo), 'furando', com concertos, um circuito ainda manietado por outras músicas. Mas, já antes de 1979, os Tantra haviam esgotado (a primeira vez que uma banda rock portuguesa o fazia), por duas noites consecutivas, o Coliseu de Lisboa. E podemos ainda lembrar Petrus Castrus, Quarteto 1111/José Cid, Saga, Beatniks (ou Beatnicks), Arte&Ofício... uns e outros, heróis de um sonho rockeiro nacional.

Esta discussão de quem é o pai do rock português tem planado mais por questões de gostos, do que de factos. Porque, se o factor em análise é apenas a qualidade ou o existir antes de “Chico Fininho”, bem... então, há diversos candidatos para testes de ADN, a fim de aferir a verdadeira paternidade.




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O Boom
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