Lá fora || Nomes e discos estrangeiros ao tempo do 'boom'
Ziggy Stardust


Van Halen
Fair warning

1981
Warner - Rádio Triunfo
Portugal
WAR 56 899


Fair Warning
VAN HALEN

classificação: 5 estrelas

Audição: Vinil



Densidade do som metal
______

© António Luís Cardoso [Maio.2010]



O disco

Quarto disco de originais dos Van Halen, editado em 1981. Ainda não seria deste LP que sairia o sucesso ambicionado pela banda que sucederia com o esmagador “Jump” três anos depois, atingindo (pela única vez na carreira) o n.º 1 do top americano e arrasando tabelas pelo planeta fora.

“Fair Warning” é um álbum que nasce numa altura de grande tensão na banda, pretendendo Eddie Van Halen um som mais metal e Davi Lee Roth algo mais pop e comercial, a exemplo do que já haviam feito anteriormente. É um facto que, em termos comerciais, é um dos menos conseguidos álbuns dos Van Halen, mas ouvindo-o a esta distância, percebe-se o porquê das opções do guitarrista fundador. Há mais densidade e cultura metal neste LP do que veremos em “1984” (onde constava o citado e célebre “Jump”).

Talvez seja por este facto, o da procura de um som mais complexo e que – eventualmente – explorasse o lado criativo de Eddie, que “Fair warning” se torna um dos meus favoritos do grupo. Sem artificialismos e herdeiro de um som mais cru vindo da década anterior.

Mas os Van Halen, se por um lado não eram uma das banda de eleição por muitos dos apreciadores de heavy metal por esse lado mais pop-hard ou pop -heavy, pr outro também levavam por tabela da crítica. Senão vejamos o que se diz deles numa espécie de enciclopédia do género, elaborada por João Cunha e Nuno Infante do Carmo, em Junho de 1984, no n.º 92 da revista "Música & Som":

(...) o resultado, nos primeiros discos, poderá rivalizar com as obras dos melhores pirotécnicos de Hong Kong. Mas, é claro: uma novidade não dura sempre (quanto mais não seja porque é novidade) e a tendência é para a normalidade, conquanto Roth continue a provocar sonhos húmidos em quatro quartos das suas fans e Eddie prossiga a transcrição das cataratas do Niagara para seis cordas”.

Com saídas e entradas tempestuosas lá continuam os Van Halen, mais Roth, menos Hagar. A novidade, hoje, pode residir mais nestes fait-divers de regresso e saída dos vocalistas, mas lá que continuam, continuam...



A capa

A capa é um pormenor da pintura "The Maze", do pintor canadiano William Kurelek, a qual representa uma complicada juventude. Está lá toda a tensão metal sem caveiras e outros símbolos (que acabam por se tornar ‘clichés’ nos 80), percorrendo um quotidiano de violência suburbano; percebe-se claramente a intenção da banda na escolha da capa, provocatória e, ao mesmo tempo, apelativa.

O arranjo gráfico da tipografia não é clássico, sugerindo até desequilíbrio, quer na colocação dos nomes da banda e do LP, quer mesmo da relação proporcional entre as letras. Mas é um desequilíbrio assumido e bem interligado com a imagem.








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