Glossário
Breves explicações...
Este glossário pretende apenas apontar pistas para algumas designações referentes ao universo do vinil mas também ao fenómeno do "boom", mesmo correndo o risco de se referir o que é do conhecimento comum para os amantes de música. Resta dizer que é um glossário aberto à rectificação e, claro está, ao adicionar de mais informação.
Boom - expressão muito utilizada para explicar a explosão do rock português, decorrido essencialmente entre 1980 e 1982; apesar do fim dos anos 70 se revelar muito activo musicalmente, com várias bandas e músicos a desdobrarem-se em concertos por liceus e escolas, mas também por salas de espectáculos (os Tantra chegam a esgotar o Coliseu de Lisboa, por duas noites), o público só adere em massa a um tema de uma dupla portuense, Rui Veloso + Carlos Tê, o célebre "Chico Fininho"; depois é o que se sabe: uma loucura, autêntica espiral de gravações, concertos e mediáticas ascenções, seguidas de não menores quedas...

capa Capa - a designação para o que, popularmente, se descreve em inglês como "cover"; o primeiro contacto visual com um disco; há excelentes capas no "boom", mas, tal como no que diz respeito à música, muitas outras ingénuas e completamente sofríveis; também se utiliza o termo "capa" para o todo (ou seja o invólucro do disco: capa + contracapa ou capa + contracapa + gatefold...).


contracapaContracapa - a designação para o que, popularmente, se descreve em inglês como "back cover", ou seja a capa traseira.

Editoras - foram diversas as que tentaram explorar o fenómeno. Das maiores como a EMI-Valentim de Carvalho ou a Rádio Triunfo, a uma série de pequenas editoras, como a Roda, a Imavox, a Metro-Som, a Edisom, etc. Outras eram subsidiárias de grandes editoras, como por exemplo a Rotação (da Rossil). Informação (muito) mais detalhada na página dos anos 80, em Editoras.

EP - Com um formato igual ao do single, tem a variante de conter mais do que as normais duas músicas deste, daí a designação "Extended play" (vulgo: "Duração extendida"); muito em voga até aos anos 70;

Etiqueta - o mesmo que Label.

Exemplo de capa 'gatefold' - Rock&Varius Gatefold - termo que designa o uma capa de disco que se abre como um livro (muito utilizada por exemplo, para os álbuns duplos).

Label - etiqueta de papel colada no meio do disco, geralmente com informação das faixas que constam nesse lado (ou então, esteve muito na moda estar a informação de um dos lados e, no outro, um jogo gráfico).

LP - disco em 33 rotações, derivando a expressão de "long play", traduzido muitas vezes para português, ainda hoje na crítica musical, por "longa duração"; a ideia é que se trata de um disco com mais músicas do que as contidas nos singles; a qualidade de prensagem é menor do que a que se encontram nos discos de 45 rotações, uma vez que as estrias são mais apertadas (por este motivo, vários álbuns editados actualmente em vinil têm optado pelas 45 rotações, desdobrando-se em vários discos para conter o álbum; exemplo: o recente "In rainbows", dos britânicos Radiohead).

Maxi-single - formato igual ao LP (31 cm de diâmetro) mas tocando a 45 rotações; foi muito popular nos anos 80; ao contrário do que se pode encontrar escrito na Internet, o primeiro maxi-single português não foi o "Amor" (1982) dos Heróis do Mar, nem sequer, como já foi assumido aqui no museu, "Come hear the band" (1978), dos Arte&Ofício, editado na Orfeu, com a particularidade de então se designar por Super-single. O primeiro maxi-single foi "What the World Needs Now", de José Calvário e terá sido editado umas semanas antes do disco dos Arte&Ofício, também na Orfeu (preciosa informação de João Carlos Calixto) .

Mini-LP - disco em 33 rotações que comporta menos músicas do que um LP normal (ex.: "O rapto", dos Heróis do Mar, de 1984).

Exemplo de capa com autocolante 'Rock em stock' Rock em Stock - programa de rádio famoso à data do "boom", iniciado no ano anterior ao "boom" (9 de Abril de 1979), na Rádio Comercial, por iniciativa do famoso "Berros", carinhosa alcunha para Luís Filipe Barros. Era um importante veículo para os artistas, quer através da radiofusão das músicas, quer pela ascenção das mesmas no 'top' que organizava. Veja-se, por exemplo, o selo autocolante nesta capa dos NZZN, autêntica mola impulsionadora de vendas. Ou então, o lado negativo: o motivo pelo qual se aponta o "flop" comercial de um dos melhores e mais importantes álbuns de rock português, "Música Moderna" (1979), dos Corpo Diplomático, foi a recusa de Luís Filipe Barros em fazer a divulgação do disco.

Rock Rendez-Vous - sala de espectáculos de Lisboa que será muito importante, principalmente, na segunda vaga do rock português de oitentas, promovendo ínumeras bandas, nomeadamente através dos concursos que realiza.

Single - disco em 45 rotações, com duas músicas, uma no lado A e outra no lado B. A do lado A é, geralmente, a principal aposta, mas nem sempre a que alcançou mais sucesso; lembremos os casos de "Ribeira", dos Jafumega, ou "Foram cardos, foram prosas", de Manuela Moura Guedes, ambos lados B.

Super-single - O mesmo que maxi-single.

Vivamúsica (ou "Viva a música") - programa de televisão dedicado à música portuguesa e em particular ao rock, inicialmente na RTP2 e, devido ao sucesso alcançado, transitaria para o canal 1. Estávamos em pleno Verão de 1981, no auge do "boom" e como nos diz o seu autor (em aprceria com João Egreja e Manuel Medeiros) e apresentador, Jorge Pego: "O programa deve grande parte do seu êxito, numa primeira fase, ao empenhamento, à carolice e amor à música de uma equipa liderada por João Igreja e Manuel Medeiros.  Ao ter feito mais de uma centena de telediscos com músicos portugueses contribuiu decisivamente para que se ouvisse mais música portuguesa" (fonte: site "MÚSICA PORTUGUESA - ANOS 80").

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