Extra-boom || Discos, bandas e músicos de outros anos e/ou outros sons.
Capa dos Arte & Ofício, 'Festival', Single, 1977




Festival
ARTE & OFÍCIO

classificação: 5 estrelas

Audição: Vinil



Progressivamente hard
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© António Luís Cardoso [Maio.2010]



O disco

Os Arte & Ofício são uma das poucas bandas portuguesas que, no fim dos anos 70, conseguem ter uma carreira, quer ao nível de registos discográficos quer de concertos. Neste particular, tinham um irreverente vocalista, António Garcez [que já não gravará o segundo e último Lp de originais, "Danza", de 1981, uma vez que havia fundado os Roxigénio – ver secção "discografia"], que com as suas provocações, também contribuirá para o despique entre os fãs da banda e os fãs dos Tantra.

Apesar de ainda não chegarem ao grande público (algo que a música moderna almejará apenas com o 'boom'), episódios como o citado despique provam que havia espaço para a música dos Arte & Ofício. Música essa que se pautava por um hard-rock, cantado em inglês, influenciado por bandas como os Led Zeppelin ou Deep Purple.

O presente disco é a estreia da banda, com dois curiosos registos, um mais dentro do referido género, hard-rock, com uma secção ritmíca a acompanhar a guitarra, preponderante, a par da voz, aguda. Sem desprimor, poderíamos dizer que é uma fase Zeppelin.

No lado B, temos o que poderíamos apelidar de lado progressivo, um tema muito mais (Pink) Floyd, notando-se logo no som muito espacial de entrada. Ainda temos uma inflexão a meio da música, com um som de guitarra em ritmo hard, mais ainda aí, o som do baixo faz lembrar as 'performances' de Waters nos discos da banda inglesa.

Nada desta reflexão que faço é uma tentativa de menorização do disco; muito pelo contrário, é bem normal que os jovens músicos dos Arte & Ofício sofressem naturais influências dos ídolos extra-fronteiras. Até porque, a nível nacional a música moderna portuguesa era quase inexistente e pouco excitante, em termos de uma partilha e inter-ajuda.

Por outro lado, é um single que se ouve com absoluto agrado e de uma qualidade que uma grande parte das bandas do 'boom', anos mais tarde, não terá. Assim fossem todos os discos de estreia das bandas portuguesas.



A capa

A capa é menos interessante do que o disco, com um logótipo da banda a cores, uma foto da banda em plena actuação e o nome das duas músicas, estando todos os elementos centrados. A contracapa está profusa de informação – com alinhamento da banda e ficha técnica – e fotografias individuais de cada músico.

Destaque para o curioso pormenor dos créditos do tema "Festival" que, sendo da autoria de Sérgio Castro e Sérginho, surge simplesmente assinado como "Sérgios".


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Em jeito de remate: a classificação que vou atribuindo aos discos serve apenas como referência, uma "bitola" pessoal que, diga-se em abono da verdade, tem muito mais a ver com uma saborosa nostalgia e gosto próprios do que qualquer opinião especializada.
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