25.º Aniversário da revista Blitz
Capa

[ Capa e imagens da edição,
nº 41, Novembro, 2009 ]


Positivo

A democracia de mais de sessenta cabeças a votarem nos discos preferidos. É useiro e vezeiro (Blitz incluída) as publicações organizarem listas de gostos avulsos de meia dúzia (se tanto) de iluminados...

A diversidade de artigos e outras peças de grande qualidade, como essas entrevistas de Francisco Pinto Balsemão a Mariza e Ricardo Costa a David Fonseca.

A contextualização fotográfica, infográfica e textual nas datas apresentadas.

As fotografias, nomeadamente as excelentes imagens de Simon Frederick.

O aprumo gráfico de toda a edição, começando pela capa.


Negativo

É só um ponto e está a léguas de manchar a edição. Mas merece ser dito. Quem compra e colecciona música portuguesa já percebeu que estão na Internet alguns dos maiores conhecedores de música portuguesa. A escreverem e a promoverem a dita há alguns anos e a saber:

  • Aristides Duarte, blog Rock em Portugal (também tem um livro publicado sobre o rock português,. como é sabido);
  • Rui Dinis, blog A Trompa;
  • Júlio Marques, blog Culto do vinil;
  • Merton, blog Há punk-rock no liceu.

Porque será que esta gente, devota, conhecedora, não foi convidada? É que duvido que não respondessem...

BLITZ apaga 25 velas!
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© António Luís Cardoso [Novembro de 2009]



Tendo em conta o 25.º aniversário, a publicação Blitz apresenta um trabalho de fundo sobre a música portuguesa das últimas cinco décadas. Vários artigos, listas votadas, duas entrevistas e até um portfolio fotográfico, tudo numa edição – pode dizer-se – de luxo, com capa e contracapa a brilhar qb em impressão prateada. Para além dos outros conteúdos normais da revista, ainda somos presenteados com uma edição/encarte alembrar o antigo jornal e um cd single de promoção ao projecto Rua da Saudade (Canções de Ary dos Santos interpretadas por Luanda Gozetti, Mafalda Arnauth, Susana Félix e Viviane).

A Festa da Música Portuguesa é o mote dado pela revista. Da minha parte, os mais sinceros PARABÉNS. Blitz é um nome que me acompanha desde a adolescência.


A festa segundo a Blitz

O pano de fundo são as listas apresentadas, formato tão a gosto das publicações especializadas, dos leitores, de todos nós. Valham elas o que valerem.

Mas, a favor da presente está o alargado leque de personalidades votantes, 64, embora tenham sido consultadas mais de 100, segundo a revista. Intitularam este grupo de "Academia de Música da Blitz". Não se cingiram, assim, à opinião da redacção ou mesmo de dois ou três jornalistas.

E de que listas se tratam? Tão só os melhores álbuns – e também músicas –, das últimas cinco décadas.

Não foram muitas as surpresas de quem lá está presente. Aliás, os n.º 1 são opções mais do que esperadas (evidentes?):

Anos 60: Carlos Paredes com Guitarra portuguesa, talvez a surpresa, por oposição ao n.º 2: o álbum que se convenciona chamar por "Busto", de Amália Rodrigues.

Anos 70: obviamente, Zeca Afonso, com "Cantigas de Maio".

Anos 80: "Ar de rock", de Rui Veloso – quem diria?

Anos 90: "Viagens", Pedro Abrunhosa e Bandemónio... evidentemente.

Esta década, outra "surpresa": "Humanos"...


Duas situações podem ser aferidas: ou os ícones são mesmo os melhores dos melhores ou, então, quando votamos, as escolhas saem naturais e óbvias, quais clichés do imaginário colectivo.

Inclino-me para a primeira hipótese, pois boa parte da "Academia" (ou seja, a que conheço do meio), parece-me bem conhecedora do assunto em análise.

Surpresa, surpresa, são algumas ausências, embora para tal precisássemos de saber mais dados: foi fornecida uma lista aos votantes para escolha? Ou foi pela cabeça pensante de cada um os nomes revelados?

Pessoalmente colocaria lá (pelo menos) mais uns dez discos, sem qualquer escândalo, mas há uma banda que é estranhíssimo não figurar com qualquer dos seus três álbuns: Jafumega. Quanto a mim, numa primeira análise às listas, a maior injustiça.


Que discos do "boom" lá figuram?


Não deixa de ser curioso que, tantas vezes, se aponta uma falta de qualidade nos anos do "boom" (1980-82) e, nesta década, os três primeiros classificados são Rui Veloso - "Ar de rock", Heróis do Mar - "Heróis do Mar" e GNR - "Independança"...

Em 40 discos, oito são do "boom", juntando-se aos três indicados: UHF - "À flor da pele" (16), Telectu - "Ctu Telectu" (21), Táxi - "Táxi" (24), GNR - "Defeitos especiais" (33) e Táxi - "Cairo" (36).

Se, a exemplo deste museu, contarmos com os anos 1983-85, ainda lá estão mais seis: António Variações - "Anjo da guarda" (6), Sétima Legião a um Deus desconhecido" (8), António Variações - "Dar e receber" (13), Xutos & Pontapés - "Cerco" (14), Telectu - "Belzebu" (25) e GNR - "Os homens não se querem bonitos" (38).


Nota final

No editorial, justificadamente babado, tal como um pai com os seus filhos, Miguel Francisco Cadete, director, aponta esse orgulho da Blitz ser a única publicação regular em Portugal sobre música e, ao que parece, bem à tona. Não sei, inclusive com os novos tempos trazidos pela universalidade da Internet – esta é uma discussão em cima da mesa: os velhos media versus novos media –, se haverá mercado para mais. Mas é pena que não haja. A diversidade é sempre um bom princípio.

Mesmo se não forem leitores da revista, comprem esta edição. Vale (e muito) a pena.
museudobooom@gmail.com