ENTREVISTA | Rui Jorge Trindade, guitarrista dos Iodo
"O boom sentenciou muitas bandas, entre as quais o Iodo"

Rui Trindade, dos Iodo

[ Fotos retiradas do blog de Rui Jorge Trindade ]
© António Luís Cardoso

Os Iodo foram uma das bandas mais prometedoras do "boom" mas não resistiram à erosão de 1982, tendo editado dois singles e um LP. Quase três décadas depois, Rui Trindade, guitarrista da banda nas duas formações (ver texto sobre Iodo em "Discografia"), teve a amabilidade de responder a cinco questões do Museu, abordando, sem rodeios, a banda e o fenómeno do "boom".

1. Podemos falar em dois Iodo diferentes, o dos singles e o do álbum?
Perfeitamente. Quanto a mim, existem vários factores que definem as diferenças - a mudança do baixo e baterista - a inclusão de novas sonoridades nas teclas - a evolução natural da banda.
Com os dois novos elementos não perdemos o som dos singles, considero que o melhorámos, bem como melhoraram as performances em palco.
No entanto o verdadeiro conceito do som Iodo, encontra-se camuflado no LP Manicómio, que está mal misturado, e na época lembro-me de ter usado a expressão "amaricado". Escutar os temas do LP gravados, e executados ao vivo, fazia toda a diferença. Isso mesmo, afirmo no blogue que criei sobre o Iodo.

2. Durante aquela loucura pelo rock português, no momento, alguma vez vos passou pela cabeça que seria tudo tão fugaz?
Não, de maneira nenhuma. Digamos que fomos arrastados pela onda do boom. Tudo foi muito volátil. O boom colocou o Iodo onde nunca pensaríamos, pelo menos com um timing tão curto, e por ser boom, e repito, volátil, o mesmo boom sentenciou muitas bandas, entre as quais o Iodo. 

3. Ainda ouve alguma banda/músico ou disco do "boom" nos dias que correm?
Sim, nem que seja por nostalgia. Mas gosto particularmente dos trabalhos dos Heróis do Mar e dos Jafumega.

4. Para acabar com confusões, não seria mais fácil atribuir a paternidade do rock português, desde logo, ao Júlio Isidro?
A questão da paternidade é muito controversa. O Júlio Isidro dinamizou e promoveu toda essa onda, e no conceito global ele é decerto o homem que mais divulgou toda essa maré. No entanto temos que lembrar que já se fazia rock antes da divulgação do Júlio, como por exemplo os Beatnicks, ou os Tantra. Por outro lado é inquestionável que sem a aceitação estrondosa do "ar de rock" do Rui Veloso, o boom poderia nunca ter acontecido. O "ar de rock" veio contrariar uma série de preconceitos que existiam no público, e principalmente nas editoras. A questão da definição do "pai"

5. Se os Iodo existissem hoje, que banda/músico convidaria para a 1.ª parte de um concerto?
Por coerência, os UHF.
Por gosto pessoal, o Jorge Palma.

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Nota: blogue de Rui Trindade, referido na resposta à questão 1: aqui.
museudobooom@gmail.com