Discografia || As discografias de bandas e músicos do "boom"
Single
Roxigénio - 'Song at Middle Voice' / 'My Vocation' (1982)

"Song At Middle Voice" / "My Vocation"
(Orfeu 1981)


LPs
Roxigénio - 'Roxigénio' (1980)
Ver o álbum no museu.

Roxigénio - '2' (1982)
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Roxigénio - 'Rock'n'roll men' (1983)
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ROXIGÉNIO
O hard-rock de Garcez e Mendes

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© António Luís Cardoso [Maio.2010]


Esta banda consegue o feito de gravar três LPs e, curiosamente, um único single, sem ter o sucesso esperado. Todos os álbuns têm formações diferentes, embora António Garcez e Filipe Mendes (mais tarde tora-se conhecido como Phil Mendrix) estejam sempre presentes. Garcez havia sido vocalista da banda do Porto, Arte & Ofício, a qual começara as suas actividades em 1976, com o single "Festival", bem como dos Psico e Pentágono; quanto a Filipe Mendes, havia passado pelos mesmos Psico, mas também pelos Chincilas.

Uma noite, em pleno Festival Só Rock, em Coimbra, Garcez lembra-se de ter "aviado umas canecas" em companhia de Luís Filipe Barros e de entrar em palco a "100 por cento". Num momento "high" do show resolveu atirar-se de cima das colunas de som e caiu mal. O pior ainda estava para vir. O público, em pleno boom do rock português, não gostou de o ouvir cantar em inglês e gritou: "Vai cantar para a América!" António resolveu responder à letra: "Ai é? uuuuuuuhhh" Despiu as calças, tirou tudo para fora e gritou: "A América está aqui!" No estádio encontrava-se o presidente da câmara. Vários fotógrafos eternizaram a cena. "Até me fotografaram o rabo." Foi investigado pela Polícia Judiciária: "Tudo a rir e a dizer, 'ouve lá, a gente diz que só viram as cuecas...'" A exibição custar-lhe-ia o casamento.

Nuno Ferreira, jornal Público (25/06/2001)

O vocalista dos Roxigénio era, como se constata, um (controverso) animal de palco mas também na (se é que poderíamos chamar assim) indústria discográfica portuguesa: ao jornal "Sete" dirá mesmo que a sua banda estava 20 anos à frente de Rui Veloso.

O que é certo é que a sua saída (dos Arte & Ofício) para os Roxigénio terá constituído uma surpresa e, surpresa também foi – como bem refere Arstides Duarte – o sofrível domínio da língua inglesa no primeiro disco do grupo, em 1980, por parte de um vocalista que sempre cantara na língua de Shakespeare.

Foto dos Roxigénio, em 1982

Os Roxigénio em 1982 (foto do blog "Rock em Portugal", de Aristides Duarte)

O primeiro álbum tem ainda limitações técnicas que se esbaterão no single e álbum seguintes. Neste registo, já de 1982, genericamente intitulado "2", conseguirão mesmo algum sucesso com o interessante tema "Stiff nicked obstinated". É um disco muito bem conseguido e que terá, decerto, enchido de orgulho o seu dramático vocalista (uma inconfidência: é um dos meus preferidos do 'boom').

A bem dizer, o disco seguinte e último, "Rock'n'roll men", repete a dose, de modo competente, numa altura em que a banda já não consegue, a exemplo da esmagadora maioria da música moderna portuguesa, impor-se. A formação incorpora agora dois músicos que haviam integrado os Go Graal Blues Band, Fernando Delaere e Hippo. Estamos em 1983 e o 'boom' já se havia finado, sobrando apenas alguns resistentes.

Como ainda nos conta Aristides Duarte, terá existido uma tentativa de cantar em português, procurando maior aceitação pelo público mas tal não passou de uma actuação na televisão, sem direito a disco.

De qualquer das formas, há que considerar os Roxigénio como um dos projectos mais coerentes do rock português, procurando num som mais pesado, impor um estilo que não estava predestinado ao sucesso.


Bibliografia:
ARISTIDES, Duarte, "Memórias do Rock Português", ed. autor (3.ª), 2008

Links:
Música Portuguesa - Anos 80
My Space
museudobooom@gmail.com