Discografia || As discografias de bandas e músicos do "boom"


Patchouly
Frente de "Patchouly"

Verso de "Patchouly"

Verso de "Patchouly" - versão censurada


A. Patchouly
B. Já rockas à toa

Letras de Vítor Perdigão e Músicas de Vicente Andrade

1VCS 1006 [original]
1VCS 1007 [versão censurada]
Editora: Valentim de Carvalho
Ano: 1981
Gravado no Angel Studio
Técnico: José Fortes
Fotografia: Luís Vasconcelos
Logo & capa: ZM
Produção: Nuno Rodrigues



Estória linda
Frente de "Estória Linda".

Verso de "Estória Linda".


A. Estória linda
B. Conversa de comadres

Letras de Vítor Perdigão e Músicas de Vicente Andrade

1VCS 1036
Editora: Valentim de Carvalho
Ano: 1982
Gravado no Estúdios Valentim de Carvalho - Paço de Arcos
Engenheiro de som: Tó Pinheiro da Silva
Fotografia: Luís Vasconcelos
Arr. gráfico : José M. Cruz e Silva
Produção: Nuno Rodrigues







Grupo de Baile
Uma questão de beep ...


© António Luís Cardoso [2009]

Um dos sucessos mais esmagadores do "boom" foi do Grupo de Baile. Refiro-me, claro está, a "Patchouly".

No entanto, foi brevíssima a carreira do grupo. O sucesso de "Patchouly" não féu suficiente para o desaire comercial de "História linda", o single seguinte, gorando-se a hipótese de um terceiro registo, desejada e, inclusive, preparada pela banda.

Mas voltemos a "Patchouly". Este tema entrará para a história da música portuguesa como uma das mais bem engendradas jogadas de marketing da indústria fonográfica portuguesa: esconder uma palavra de calão ("pintelhos") incluída na letra, através de som, o famoso beep.

Esta "história" criada por detrás do disco criou uma bola de neve e um enorme sucesso. Rádios houve que não passavam o tema original e outras fazima gala de o fazer; o mesmo com os ouvintes.

A versão censurada teve direito a número de série próprio, diferente da edição sem o beep. Provavelmente para aproveitar a mesma impressão de capa, este número surge no verso com um autocolante redondo, sobre o da edição original. Mas, curiosamente, teve direito a label/etiqueta própria.

Era a democracia no seu máximo e jovem esplendor a auto-promover a censura. Como se o lema fosse "antes nós, primeiro...".

"Patchouly" tinha todas as qualidades para ser um sucesso: letra que entra no ouvido, rockeira, e uma batida dançante acentuada pelos metais. Certamente seria com ou sem beep. Mas decerto não tão esmagador.

Já rockas à toa é um competente lado B, marcado também pelos metais.

Um ano depois do verão quente do rock português editam "Estória linda", com "Conversa de Comadres" no lado B. E, já na curva descendente do "boom", o Grupo de Baile aterrou abruptamente da saborosa viagem do sucesso.

O single não pegou e a banda, vedada a hipótese de um LP, não teve argumentos para convencer a editora para um terceiro trabalho em 45 rotações. Que teria um título sugestivo "Vocalista rock".

Esta banda que, antes do boom, já tinha muitos kilómetros de estrada enquanto grupo de baile (daí...), parecia ter a lição estudada para o sucesso, inclusive no campo gráfico, com um interessantíssimo logótipo. Mas foi mais um dos óbitos de 1982.

Nos anos 90 e mais recentemente, voltaram a tocar em festas e reuniões televisivas nostálgicas. Mas as gravações discográficas ficaram (até ver?) pelos dois singles.


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A banda:


Carlos Manuel Tavares
Voz

Vicente Andrade
Guitarra

Luís Rosado
Bateria

António Manuel
Baixo

Luís Landeirote
Órgão

Marcelino
Saxofone alto

João Mário
Saxofone tenor

Zé Manel
Trompete


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museudobooom@gmail.com