Discografia || As discografias de bandas e músicos do "boom"
VINIL | Álbuns
Heróis do Mar Mãe O rapto
A lenda dos Heróis do Mar. 1980-1985 Macau Heróis do Mar [IV]
VINIL | Maxi-singles
A. Amor (partes I e II)
B. Amor (Versão nocturna)
A. Paixão
B. Cachopa (Versão nova); Paixão (Versão instrumental)
A. Alegria
B. A glória do mundo; Castelo de S. Jorge
A. O inventor
B. O inventor (Versão single); Homenagem
A. Eu Quero (Mistura possessiva)
B.
Rossio; Eu quero
A. Africana
B. Eu não mereci; D.F.S.
CD

Heróis do Mar,
Vol. 1, 1981-1982
[Colectânea]

Heróis do Mar,
Vol. 2, 1982-1986
[Colectânea]
Paixão
[Colectânea]

Amor
[Colectânea]
Em 2001 foi ainda editado
um cd-single: "Paixão", Universal
Heróis do Mar
Os inventores


© António Luís Cardoso [2009]

Heróis, uma banda incrível. Aí está uma banda portuguesa de que sou fã.

Manuel Cardoso (Frodo)
Música&Som, nº 99, Janeiro de 1985


Goste-se ou não, foram uma das bandas mais inovadoras e consistentes que resultaram do "boom".

Os Heróis do Mar, porém, nunca foram uma banda de consensos. Muitas vezes arrasados pela crítica especializada (a mesma que volvidas quase três décadas, os aclamam), por vezes acarinhados pelo público, outras nem tanto, os Heróis deixaram um importante legado musical e visual. Cada disco era uma novidade representando, quase sempre, um caminho diferente.

Nascem das cinzas de um dos projectos mais inovadores de sempre: os Corpo Diplomático (estes, por sua vez, remanescentes dos punks Faíscas), banda que lançou um single (promo), "Festa do Bruno", e, um LP, "Música Moderna". Deste grupo sairam Pedro Ayres Magalhães (baixo), Paulo Pedro Gonçalves (guitarra) e Carlos Maria Trindade (teclados); contam ainda com a experiência de um ex-Tantra, António José Almeida (bateria), e, para vocalista, é recrutado Rui Pregal da Cunha.

Na óptica em que surgiu, nessa cena nacionalista e neo-romântica, acho que o projecto foi relativamente conseguido. Apoia-se muito na imagem. É uma maneira de estar na música. De qualquer modo, uma imagem demasiado plástica para o meu gosto. Também não tenho nenhum disco deles, mas assisti a um concerto, e , aí, já lhes poderei apontar certas limitações.
(...) Bom, mas acho porreiro a projecção que eles conseguiram lá por for. Tomara que muitos grupos a conseguissem...

Guilherme Inês
Música&Som, nº 92, Junho de 1984
Com uma estética evocativa da História portuguesa – roupas, a Cruz de Cristo nas bandeiras e na capa do 1º LP –, os Heróis do Mar pagarão cara a ousadia, numa época ainda remanescente dos ventos revolucionários de Abril. Cheirava a História, Descobrimentos... cheirava a fascismo. Por muito que a banda negasse, o jornal dedicado à música e espectáculos, "O Sete", não perdoam tal 'façanha', e, António Duarte, colaborador desta publicação, aponta também o dedo à banda no mítico livro: "A Arte Eléctrica de Ser Português- 25 Anos de Rock'n'Portugal".

Aponta ainda as más vocalizações no álbum "Mãe", uma crítica recorrente à banda. Não será, isso é certo, um disco fácil de digerir após a autêntica histeria que foi o tema "Amor" (o single, também editado em maxi-single, foi o primeiro disco de platina da música portuguesa e, segundo Miguel Esteves Cardoso provou-se que era possível fazer uma música de dança com qualidade).
"(...) se fiquei agradavelmente surpreendido com o álbum de estreia da banda, se estendi essa surpresa e esse agrado ao disco seguinte (O Amor) o mesmo não poderei dizer daquilo que os Heróis fizeram daí para cá".
Carlos Marinho Falcão
Música&Som, nº 94, Agosto de 1984
Os próprios músicos sentem essa pressão e, após o 2º LP e os single e maxi "Paixão" (disco que leva a publicação inglesa "Face" a considerá-los, na altura, a melhor banda da Europa), avançam para outros aparatos visuais, igualmente excêntricos, mas mais urbanos, como é exemplo a capa de "O Rapto", disco com alguma rodagem nas rádios.

Seguem-se outro single e maxi ("Alegria"), antes de "Macau", LP que volta a ser outro disco muito experimental.

O canto do cisne dá-se com "IV" (assim conhecido, embora o álbum não tenha nome, o qual já não contou com António José Almeida), que, uma vez mais, sucede a outros single e maxi ("O inventor"). Um dos motivos mais óbvios passa pelo novo projecto de Pedro Ayres Magalhães, os Madredeus, então em pleno início e força.

É curioso verificar a citada sequência de criação/edição dos Heróis do Mar, sucedendo sempre a um LP um novo tema editado apenas em 45 rotações (single e maxi-single).

Em vida activa da banda, legam seis 33 rotações (quatro álbuns e um mini-álbum de originais, a que se junta uma colectânea), e quatorze 45 rotações (8 singles e 6 maxi-singles). Em menos de uma década, foi, seguramente, um muito bom registo no panorama nacional.

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Nota sobre a discografia: em 1986, sob o 'patrocínio' dos Heróis do Mar, sai um maxi-single com remixes de temas da banda, de Adriano Remix, intitulado "Mad Mix. Alegria, Amor, Paixão". A capa é de Jorge Colombo (que nesse mesmo ano já assinara a capa da colectânea "A lenda dos Heróis do Mar. 1980-1985").
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