[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Xeque-Mate, banda portuense, foram mais um dos projectos nacionais de inícios de 80 a tentar vingar no heavy-metal. Gravaram, em pleno 'boom', um single que teve alguma rodagem nas rádios e após insistência, gravam o ansiado álbum em 1985, já com uma banda reformulada. À frente do microfone esteve sempre Francisco Soares, o entrevistado de hoje do museu, e, também sempre acreditando no heavy português.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

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Ver destaque no museu, aqui.

Ver single no museu:

Xeque Mate - 'Vampiro da uva' / 'Entornei o molho', Metro-Som, SING 125-S

Ver LP no museu:

Pronto a curtir
Xeque Mate
Francisco Soares em entrevista.

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Sim, era Metal, não tenham dúvidas os mais novos


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

Restam sempre algumas claro, mas também a n/ memória já nos trai um pouco, e ainda bem, porque as que restam ainda serão as boas. Foi um tempo fantástico, as pessoas queriam rock português e isso abriu muitas portas e também deu coragem a algumas bandas que apesar de terem pouco da cultura rock nunca deixarem de contribuir para um movimento que foi absorvendo o país, e que sem isso, se calhar o Festival da Canção ainda hoje seria o acontecimento mais importante.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

O "boom"não precisa de qualquer tipo de pai, mãe ou como o quiserem rotular, mas de facto o Rui Veloso, na minha opinião, com o seu sucesso junto das massas ávidas por entender as mensagens contidas nas letras dos seus grupos de rock favoritos, e que só chegavam a alguns, o conseguir ouvir a sua língua, cantarolar as suas músicas sem o pecado de estar a dizer uma grande asneira, obrigou as editoras a apostar naquilo que lhes faziam chegar, que apesar de nem sempre a qualidade ser a melhor, certo é que apareceram bandas com grande qualidade e sem dúvida que a boa música que se vai fazendo no nosso país actualmente, é fruto do que se viveu naquela época.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

"Ar de Rock"


4. Os Xeque-Mate estão para o hard/heavy metal nacional como o Rui Veloso para o ‘boom’ ou não gostam mesmo nada do título?

Não vamos colocar as coisas nesses termos. Acho que fomos importantes para o Heavy nacional, e mais do que isso, acho que fomos uma banda em quem alguns portugueses se podiam identificar, não ficando amestradas com o “popzito” difundido pelos media. E sim era Metal, não tenham dúvidas os mais novos.


5. “Vampiro da uva” é um tema com uma malha metal contundente e bom toque de humor. O tema ainda rodou bem nas rádios... mas vocês queixam-se das condições da editora (da gravação à edição)... podem comentar?

Para a Editora acho que fomos mais uma banda, que na altura até dava jeito ter em carteira devido ao "boom", mas nunca apostaram no projecto com o empenho necessário, e não podemos esquecer que o Metal não era, e continua a não ser acessível a todos os ouvidos, somos um país muito pequeno. Na altura não existiam conhecimentos técnicos suficientes para gravar Metal. Gravar com produtores / técnicos estrangeiros ou então sair do país só poderia causar uma boa gargalhada nas editores nacionais a não ser com uma garantia de um grande, mas grande sucesso.


6. Influências e/ou referências?

Muitas, mas Black Sabbath sem dúvida a grande referência desde miúdos.


7. Foi difícil a gravação do LP, mas a vossa persistência, quatro anos depois do single, trouxe-vos o 33 rotações que idealizaram?

Acho que sim. Na altura apostamos a n/ vida no “Em nome do Pai, do Filho, e do Rock’n’Roll” e penso que ainda hoje existem pessoas que ao ouvir pela 1ª vez o LP ficam surpreendidas com o trabalho, principalmente quando se apercebem da época em que foi gravado, e não tenho dúvidas que o disco foi de encontro às n/ expectativas ou até as tenha ultrapassado, no entanto existem sempre outros factores como a má ou quase nula distribuição, a publicidade inexistente, entre outros, que conseguiram amordaçar este nosso projecto.


8. E projectos, hoje?

A reunião em 2007 veio refrescar as nossa memórias. Somos bons amigos, gostamos de tocar juntos, e sem querermos ambicionar um lugar confortável no panorama musical, antes pelo contrário, vamos estando por cá sem qualquer projecto definido que não seja a pura diversão o puro R’n’R. Planeamos 1 ou 2 concertos entre Setembro e Outubro, e estamos neste momento a compor alguns temas novos para esse efeito e ao mesmo tempo mostrar aos n/ amigos como estamos na música actualmente.


9. Qual a música moderna portuguesa que ouvem, agora?

Toda! Conforme já referi, hoje em dia temos grandes projectos de Norte a Sul do país e neste momento só faltará as pessoas perceberem que se faz música com grande qualidade em Portugal.


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Entrevista efectuada pela rede Facebook, em Junho de 2010.
Pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.