[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Da Vinci, banda com um cunho musical e visual muito próprios, foram, porventura, uma das bandas portuguesas da música moderna menos amadas pela crítica dos anos 80. Mas não foi isso que os impediu de ter sucesso e, inclusive, ter ganho um Festival da Canção. É certo que trilharam, assim, outros caminhos e, também, captaram outros públicos, mas não é possível falar da música portuguesa de 80's sem falar da banda de Iei Or e Pedro Luís Neves (que havia sido teclista nos Tantra, no 2.º e 3.º álbuns).

António Luís Cardoso

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Ver singles no museu:

Da Vinci - 'Hiroshima (meu amor)' / '1001 noites', Polydor-Polygram, 2063101

Da Vinci - 'Fantasmas' / 'Lisboa ano 10000', Polydor-Polygram, 2063092

Da Vinci - 'Anjo Azul'/'Vivo na selva' (1984), Polydor-Polygram, 881 085-7

Da Vinci - 'Momentos de paixão' / 'Video (Shock waves no meu video)' (1985), Polydor, 881 951-7

Ver LP no museu:

LP 'Caminhando'


Da Vinci
em entrevista.

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Julgo que existem vários pais e mães,
foi uma rebaldaria!



1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

O chamado ‘boom do rock português’, foi um curto período de tempo em que várias sinergias foram combinadas: entre jovens músicos, compositores, intérpretes, editores e divulgadores rádio e TV, houve um feliz e raro encontro, que fez 'boom'!


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Julgo que existem vários pais e mães, foi uma rebaldaria!


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Ficaram vários discos, em vinil, alguns registos RTP e Rádios, e sobretudo a memória de todos aqueles que assistiram aos nossos concertos ao vivo.


4. Os daVinci são um dos projectos da música moderna portuguesa do início dos anos 80 com um cunho muito próprio. O público aderiu, nomeadamente com “Hiroxima, meu amor”, mas a crítica não foi muito simpática. Isso interferiu com o vosso percurso?

Os daVinci começaram com a gravação de uma demo que foi apresentada em 1982 ao AR da PolyGram (hoje Universal), que desde logo a gravou no Angel estúdio, e editou em Single vinil: 'Lisboa ano 10.000' e 'Fantasmas'.

Houve desde logo uma grande adesão do público, e no final do ano foi gravado o 2º Single 'Hiroxima meu amor' que foi Disco de Prata (caso inédito na altura para um disco de música Pop Rock cantado em português).

Como sempre, surgiram críticas maravilhosas, e outras menos simpáticas. Ficaram os recortes dos jornais...


5. Foram ainda uma das poucas bandas que resistiu à autêntica razia que se deu em 82/83 nas dezenas e dezenas de projectos do ‘boom’, vetados pelas editoras e pelo público. Tiveram essa percepção?

O público é que escolheu. Continuámos a ter apoio do público e dos media; quanto à editora, foi esmorecendo...


6. Mais tarde decidem concorrer a um certame mais próximo da chamada ‘música ligeira portuguesa’, o clássico Festival da Canção. E ganham. O que significou esta vitória para a banda?

Quando nos convidaram, não resistimos à tentação, como a maior parte dos artistas portugueses, de todas as vertentes (pop ,rock, fado, popular, intervenção, erudita, etc). Tratava-se, na altura, de um evento nacional, de cariz quase patriótico (a representação de Portugal no E.S.C.).

Para além do mega sucesso popular da canção 'Conquistador' (disco de Platina), essa participação abriu as portas à banda para concertos no estrangeiro, e tournées em Portugal.


7. A componente visual – nomeadamente as roupas – sempre esteve ligada aos Da Vinci. Fundamental para complementar a música?

O projecto daVinci teve, desde o início, duas componentes: o áudio, da responsabilidade de Pedro Luis Neves, compositor, produtor e intérprete, e o visual, da responsabilidade de Iei Or, cantora, letrista e criadora da imagem do grupo.


8. Que disco escolheriam como um filho pródigo?

Qualquer um dos discos. tem a ver com a estética e influências da época em que foi gravado.

Talvez o mais conseguido, em termos de composição e produção seja 'A Dança dos Planetas' de 1990.


9. Projectos, hoje?

Actualmente os daVinci, Pedro Luis e Iei Or, reunem músicos da nova geração para apresentar o seu repertório, sempre que são contratados para concertos cuja produção seja de qualidade.

Está ainda prevista a edição de um 'Best Of'.


10. Que música moderna portuguesa ouvem, actualmente?

Muito pouca.


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Entrevista efectuada por e-mail, em Maio de 2010.
Pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.