[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Ópera Nova foram um projecto dentro do que então se chamava de neo-romântico, a exemplo de outros projectos de além-fronteiras, mas como nos diz Luís Beethoven (fundador e presente na 1.ª fase da banda), os portugueses gostam de comparar. Tal como os Popeline Beije, esta banda logrou encontrar nas pistas de dança e na mistura de ritmos eléctricos e electrónicos um caminho. Foi uma carreira breve, composta pelos discos "Sonhos" (maxi e single) e "México" (single). Aqui ficam as palavras do músico.

António Luís Cardoso

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Ver singles no museu:

Ópera Nova - 'Sonhos' / 'Luar', 'Palavras' (1983), Polydor-Polygram, 810 843-7

Ópera Nova - 'México' / 'Western' (1984), Polydor-Polygram, 817 842-7

Ver máxis no museu:

Ópera Nova - 'Sonhos' / 'Luar', 'Palavras', Polydor-Polygram, 810 844-1


Ópera Nova
Luís Beethoven em entrevista.

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Nós fizemos parte da euforia, só não tínhamos um formato tão visível


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

Foi um periodo de mudança, era tudo novo para nós, as bandas apareciam por todo o lado, era fácil de gravar, o mercado começava a despontar, tecnicamente havia falta de formação musical, era tudo uma descoberta.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Nenhum dos dois, formações de músicos anteriores a eles fizeram esse trabalho.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Pedro Aires Magalhães / Heróis do Mar.


4. Quando os Ópera Nova editam “Sonhos”, em 1983, já só tínhamos reflexos do ‘boom’. Ainda se sentiram integrados em toda aquela euforia?

Nós fizemos parte da Euforia, só não tínhamos um formato tão visível.


5. Vocês foram dos projectos mais conotados com os chamados neo-românticos – Duran Duran ou Classix Nouveaux, por exemplo. Isto faz algum sentido?

Em Portugal sempre gostámos de arranjar comparações, as bandas são o resultado de uma estética cultural que está inevitavelmente ligada a uma época ou período de tempo, e claro aplica-se a todas as manifestações artísticas. Eu e o Pedro começámos a trabalhar com máquinas em 1979, fizemos imensas coisas sem a directa influencia das bandas estrangeiras.


6. A ligação musical com o Carlos Maria Trindade (com quem partilha o projecto No Data), produtor de “Sonhos”, começa aí?

A Ligação com o Carlos Maria começou em 1982, ano em que foi produtor de um trabalho dos Ópera Nova.


7. Projectos, hoje?

No Data, com o Carlos Maria Trindade


8. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Gosto de O'questrada, dos Gift, do Tiger Man, claro que gostava em alguns casos de ver espelhada a nossa cultura nos formatos que praticam, mas como diz o meu avô: o Rock não é Português e nós gostamos demasiado... do rock e de tudo o que se faz lá fora. Abraços e a todos os músicos que se esforçam.. continuem a tentar.


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Entrevista efectuada pela rede Facebook, em Maio de 2010.
Pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.