[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Rock & Varius têm a particularidade de ter num só nome, duas grafias diferentes. Sendo a fonética igual, no segundo fôlego discográfico da banda (single e LP de 1982), evolui para Roquivários. Coisas da editora, como nos diz Midus – baixista e vocalista da banda, há muitos anos radicada em terras de Sua Majestade – em entrevista. De igual modo, acaba com uma ideia feita – e errada – que está em alguns sites, a de que começa a tocar baixo apenas no 2.º álbum. Ora, se no "Pronto a Curtir" não se especifica quem toca o quê (mas lá está a música com um baixo junto de si na capa), no single "Totobola" (mais um lado A que passou mais despercebido do que o B: "Ela controla"), está lá bem explícito. Faz mea culpa quem até tem os discos.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Os Rock & Varius
na "Música & Som" - I


Os Rock & Varius
na "Música & Som" - II


Os Rock & Varius
na "Música & Som" - III


Publicidade à banda


Ver singles no museu:

Rock & Varius - 'Totobola' / 'Ela controla', Rádio Triunfo, RT 51-9 Roquivários - 'Cristina (beleza é fundamental' / 'Disc Jockey', Valentim de Carvalho, 1VCS 1022
Ver LPs no museu:

Pronto a curtir Roquivários
Rock & Varius
(Roquivários)

Midus
em entrevista.

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Desde os 12 anos que sempre toquei baixo em bandas


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

A memória que tenho desse tempo, só pode ser boa ou eu nao estaria onde estou agora! Muitas bandas e músicos se revelaram e começaram grandes carreiras que marcaram em todos nós um movimento óptimo de rebelia e musicalidade portuguesa especialmente quando o Rock se começou a cantar em português e começou a soar bem!


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Se bem que, com todo o respeito pelo António Manuel Ribeiro, O Rui, para mim... terá de ser o pai do "Boom"


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

"Chico Fininho" e Rui Veloso, claro!


4. Como olha hoje para o facto de ter integrado uma das bandas que marcou o ‘boom’?

Foi a altura certa. Nós, como banda, temos todo o orgulho de ter feito parte e revolucionado de certa maneira, essa altura da música rock portuguesa.


5. Podemos falar de duas bandas diferentes, os Rock & Varius e os Roquivários, ou só mudou a grafia do nome? O nome mudou com a mudanca de editora, de Radio Triunfo para Valentim de Carvalho "EMI".

A diferença das duas alturas da banda, e que no primeiro álbum "Rock & Varius" com a Rádio Triunfo, além do nome, havia 3 líderes vocais, no segundo álbum "Roquivários", Valentim de Carvalho, só um lider vocal, eu!....aliás, eu liderava também a parte financeira e promocional da banda como empresa!


6. Com o segundo LP a Midus ganha mais protagonismo, assumindo a voz principal. Mas também começa a tocar baixo, o que muda e muito a sua vida futura, correcto?

Não tão correcto assim....

Com a mudança, fiquei como lider da banda e ao contrário da informação incorrecta que alguns sites têm de eu ter começado a tocar baixo no segundo álbum, eu sempre fui a baixista da banda desde o começo, o que se pode ver impresso nos álbuns e singles.

Desde os 12 anos que sempre toquei baixo em bandas.

O baixo foi sempre um instrumento que me entrou muito naturalmente, desde os meus 8 anos que ouvia linhas de baixo, que as tocava na minha guitarra acústica, até tocar num verdadeiro baixo, Ibanez (cópia de Les Paul) aos 11 anos, comprado pelo Padre da Igreja da Moita do Ribatejo, onde eu vivia nessa altura. Dávamos bailes para angariar fundos para a Igreja.... Aos 12 anos, os meus pais ofereceram-me o meu próprio baixo, que durante uma semana inteira nao me desliguei dele para nada...nem para dormir...!

Agora sim, posso dizer que tudo o que fiz e a experiência que me foi lançada nessa altura, me deu as bases para eu estar onde estou nesta altura, e muito feliz!


7. Ainda tentou uma carreira a solo em Portugal. O que faltou?

O que faltou?? Promoção, é claro! Mas nao me queixo, na minha editora "Polygram" sempre foram uns queridos, o Tó Ze Brito sempre aquele fiel. Na altura, as coisas começaram a mudar em termos de música, etc. Eu comecei a sentir-me como produto para venda...!

Foi nessa altura que comecei a ter outras ideias a nível de tocar, eu quis obter novamente aquele "feeling" de andar na estrada, "tour", tocar o maximo com outras bandas e projectos novos, alcançar maiores triunfos e ir mais além...então Londres era a próxima estação...e consegui!


8. Já é algo natural pisar os palcos, como baixista, com grandes nomes da pop-rock mundial, ou ainda há um nervoso miudinho?

Ah...nervoso há sempre, no dia em que eu nao sentir esse nervoso miudinho, é o dia em que mudo de carreira..! Claro, e esse "feeling" que me faz continuar e gozar o momento, é o melhor que há...., sentir que lá fora vão estar centenas de pessoas para te ver em palco...nao há melhor...., se bem que, os espectáculos mais íntimos, podem ser, os que mais nos fazem sentir esse nervoso e não tão miudinho assim...!


9. E o desejo já manifestado de um dia voltar a gravar em Portugal ou para o público português, ainda se mantém?

Claro, eu espero um dia, lançar um álbum em Portugal, em que reuno alguns dos meus músicos de sessão preferidos com quem tenho partilhado os palcos nos ultimos anos, e nao só, alguns convidados....e fazer uma tourneé pelo País. Isso, ainda o farei um dia...!


10. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Vou ouvindo coisas de que gosto bastante, em diversos estilos, mas nao saberei dizer nomes...mas sei que há muito boa música a fazer-se em Portugal nesta altura, talvez a melhor de sempre.


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Entrevista efectuada por e-mail, em Maio de 2010.
Pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.