[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Ferro & Fogo foram uma banda com muita energia em palco e deles tenho uma saborosa memória de uma prestação ao vivo... endiabrada. Corrijo: os Ferro & Fogo ainda são uma banda com muita energia em palco, pois João Carlos continua a emprestar o seu fôlego ao projecto, agora com outros músicos e fazendo 'covers'. Como o próprio diz aqui em entrevista, a mais antiga de Portugal, no género. Mas, nos anos 80 fizeram originais, três singles e um LP. Desassombrado e acutilante qb, o líder dos Ferro & Fogo, deixa, por exemplo essa pequena provocação de referir bandas estrangeiras à resposta à última questão.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Ferro & Fogo em 1982

Ver single no museu:

Ferro & Fogo - 'Sta. Apolónia' / 'Gaja marada', Metro-Som, SING 148


Ver LP no museu:

Destaque Ferro & Fogo no museu'

Os Ferro & Fogo têm ainda
mais dois singles:

"Super-homem"/"Vai de Roda"
(1981)

"Oxalá"/"Homem das mulheres"
(1984).
Ferro & Fogo
em entrevista.

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Nem tudo eram rosas, nem tudo eram espinhos e pelo menos valeu a pena ter tentado


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

As memórias de emoções de juventude, entusiasmo, perseverança, ingenuidade e ao mesmo tempo concluir que nem tudo eram rosas, nem tudo eram espinhos e que pelo menos valeu a pena ter tentado.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Para mim sem dúvida, Rui Veloso, quer a nível de letras, quer a nível musical, sem desprimor para a escrita de António Manuel Ribeiro, porque a nível musical os UHF sempre foram e são extremamente básicos. Mas atenção que, antes do aparecimento de Rui Veloso, já havia coisas de rock sinfónico muito boas, casos de José Cid e de Tantra.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Claro que dessa altura foi o “Ar de Rock” de Rui Veloso, acompanhado por dois excelentes músicos que eram o Zé Nabo e o Ramon Galarza.


4. "Vidas" foi a sequência natural dos dois primeiros singles e o sonho do álbum?

O álbum " VIDAS " foi essencialmente o dizer que tinhamos uma palavra a dizer e estar integrado no chamado “Boom” do Rock Português e o tentar estabilizar com temas originais em português, o que não veio a acontecer.


5. Como foi essa aventura do hard às peças infantis?

Os temas que foram feitos para as peças infantis, foi estilo encomenda, porque a editora era a mesma e tentámos arranjar uma sonoridade mais hard ( à base de riffs de rock) e que complementassem a acção da peça em si. Algumas vezes conseguimos, outras não. Mas foi um conceito novo para nós e que pôs à prova os nossos recursos musicais. Foi edificante e acima de tudo divertido.


6. O que sentem em saber que ainda hoje se procuram, entre coleccionadores e melómanos, vinis dos Ferro & Fogo, ou mesmo a edição recente em cd?

Saber que existe um carinho especial em relação à banda e a curiosidade de comparar aqueles tempos, com o que actuamente fazemos e de certa maneira, sempre fizemos.

A re-edição de todos esses temas em CD, foi uma ideia unicamente da editora (que detém os direitos de reedição) e não fui tido nem achado, pois fui confrontado com um facto consumado e que de certa maneira, não adianta nem atrasa nada ao que tinha sido feito anteriormente. Por mim não o teria feito.


7. Que projectos desenvolvem hoje?

Sempre fomos uma banda de covers e somos neste momento a banda de rock, de covers, mais antiga e ainda em actividade, com uma agenda bem preenchida e com a aceitação geral de enorme parte do público. Estamos virados para uma vertente mais Hard and Heavy (Maiden, Metallica, Manowar, Judas Priest, etc.).


8. Há algum projecto/ideia para voltar a gravar?

De maneira alguma, até porque o único elemento de origem sou eu e os tempos são outros. Temos de dar espaço à malta nova. Só pedimos que nos respeitem e que nos considerem como músicos. E de salientar que grande parte do nosso público tem uma média de idades à volta dos 20-25 anos.


9. E que música moderna portuguesa ouvem, agora?

No meu caso pessoal, continuo a ouvir especialmente bandas de Power Metal, especialmente EDGUY, AVANTASIA, STRATOVARIUS, KAMELOT, JOURNEY, os sempre novos SCORPIONS, etc.


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Entrevista efectuada por e-mail, em Maio de 2010.
Pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.