[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Tó Neto quando lança o seu primeiro disco, "Láctea" já o 'boom' do rock português está em fase de rescaldo. Noticia-se que os computadores chegaram à música ou vice-versa, a qual, não sendo rock, obviamente, entra no espectro da música moderna nacional e do "Planetário" ao "Rock Rendez-Vous", Neto surpreende o país com os sons electrónicos. Hoje em destaque e em entrevista no museu.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Ao vivo no Rock Rendez-Vous

Destaque sobre Láctea

Entrevista ao semanário ÊXito


Ver LP no museu:

Destaque Tó Neto no museu'
Tó Neto
em entrevista.

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Momento alto de inspiração
e criatividade nos anos 80



1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

Na minha simples opinião, o "rock português" foi apenas um rótulo para um movimento de liberdade musical nascido com o 25 de Abril e que teve um momento alto de inspiração e criatividade nos anos 80.


2. A eterna questão do pai do rock português: Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

O Rui e os UHF tiveram um papel importante na nova música portuguesa que surgiu nos anos 80, mas para mim a primeira banda de Rock que apareceu em Portugal foram os Tantra. Depois apareceram os xutos que são ainda hoje uma verdadeira instituição.

A História da música portuguesa que interessa aos grupos económicos tais como as editoras nem sempre corresponde à verdade.


3. Não sendo propriamente pop nem rock, “Láctea” e o seu criador estavam sós no panorama de então [num ano (1983) em que o público se estava, inclusive, a divorciar de outra música nacional, mais imediatista, de 'hits' e singles]?

O "Láctea" veio trazer uma nova frescura ao movimento musical dos anos 80. Apesar de ter sido muito bem acolhido pela crítica e pelos media em geral, não foi de imediato compreendido pelos músicos de então. Sintetizadores, electrónica, sequenceres, drum machines e loops eram termos que ainda estavam muito longe da lógica musical que então se tinha instalado. Talvez por isso se tenha tornado num disco a que muitos chamam de revolucionário. É com algum espanto que vejo hoje na net, o "Láctea" ser vendido por preços altíssimos, para coleccionadores em todo o mundo como um disco de referência.


4. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Houveram muitos músicos que apareceram na altura do "boom" e alguns que já vinham do 25 de Abril e que ganharam mais notoriedade com a grande expansão da indústria da música que entretanto instalou a reboque do movimento.

De entre tantos salientaria aqui: Carlos Paredes, Fausto, Fernando Girão, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Heróis do Mar, e Trovante. Não nos podemos esquecer que nessa altura e devido ao aparecimento do Hot Club, também o jazz feito em Portugal, teve nos anos 80 o seu impulso e neste caso gostava de referir nomes como Vilas Boas, Rão Kyao, José Eduardo e Carlos Barreto.


5. O Rui Veloso não costuma ficar muito confortável com a história do pai do rock português. O Tó Neto incomoda-se com esse ‘título’ de Jean Michel Jarre português?

Essa história do de Jean Michael Jarre português foi um rótulo que os media inventaram para catalogar um estilo musical novo que não se enquadrava na música justificada de então. As minhas semelhanças com o Jarre estão apenas no tipo de instrumentos musicais que ambos usamos e talvez no uso de lasers nos espectáculos. No entanto a minha música aponta caminhos diferentes dos dele, talvez pelo facto de eu ter nascido em Angola e as minhas influências serem de cariz africano.


6.O press-release de "Láctea", da editora Sassetti, apontava influências tão díspares como “pesquisas no mundo da electrónica” de seu pai, Angola, Brasil e o Jazz. E que mais influências musicais de então e de sempre?

Realmente eu fui muito influenciado pelo meu Pai, que para além de ter sido uma das primeiras pessoas no mundo a usar computadores, (anos 60), foi também um dos inventores do som quadrifónico e daquilo a que hoje chamamos de som surround.

Claro que todas a viagens feitas e o partilhar da música com músicos um pouco pelo mundo acaba sempre por nos abrir para o conhecimento e o renovar de ideias para novos projectos.

Quanto às letras que tenho escrito a maior influência penso que vem de Prem Rawat, um mestre indiano que tem feito um trabalho notável a favor da paz no mundo.


7. Diferenças/pontos de contacto entre “Láctea” e “Best of 2010”, quase três décadas depois?

O "BEST OF 2010" é uma colectânea com alguns dos melhores temas dos discos anteriores e que conta também com 6 novos originais.

Este álbum marca também uma nova era na minha carreira uma vez que é uma publicação livre dos condicionalismos das editoras e editado pela minha nova produtora "MONAMI PRODUCTIONS".

Neste momento a música a nível global está a passar por uma nova revolução. Graças à net e ás redes sociais como o myspace, o facebook e o youtube, os autores são livres de produzirem e publicarem os seus trabalhos sem dependerem da indústria tradicional e o "BEST OF 2010" é apresentado ao público neste novo contexto.


8. E hoje, qual a música moderna portuguesa que ouve?

A nova música portuguesa aponta para muitas direcções e penso que se está a passar por um nova fase de experimentalismos e fusão de diferentes estilos, o que é muito positivo. No entanto, a velha máxima mantêm-se, boa música e má música. É óbvio que eu consumo a boa música independentemente do género.


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Entrevista efectuada pela rede Facebook, em Maio de 2010.
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.