[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

O Grupo de Baile foi, com "Patchouly", um dos casos de maior sucesso, não só do 'boom', como também da história do rock português. A exemplo de outros casos, não conseguirão outro êxito tão retumbante com o single seguinte. "Estória linda" passará mesmo despercebido e a banda não consegue convencer a editora a gravar mais. Mas a História estava conquistada e o imaginário colectivo nacional lembra bem o 1.º single e um célebre "beep"... Aqui fica a entrevista a Carlos Manuel Tavares, vocalista da banda.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Notícia na "Música & Som"

O Grupo de Baile em 1981


Ver destaque no museu:

Destaque Grupo de Baile no museu' Ver single no museu:

Grupo de Baile - 'Patchouly' / 'Já rockas à toa', Valentim de Carvalho, 1VCS 1006 e Valentim de Carvalho, 1VCS 1007 (versão censurada, com 'beep')
Grupo de Baile - 'Estória linda' / 'Conversa de comadres', Valentim de Carvalho, 1VCS 1036
Grupo de Baile
em entrevista.

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Lidar com a fama foi fácil porque sempre tivemos a perfeita noção de que seria passageira


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

São muitas as memórias desse tempo, essencialmente boas, acima de tudo ficaram as grandes amizades de um período de ouro para a música em português.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Acho que o boom não precisou de ter pai, pois nasceu de geração espontânea, mas se tiver de ser aperfilhado então só o pode ser pelo Rui Veloso.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Jáfumega - Latina/América.


4. Como foi lidar com a fama de Patchouly?

Lidar com a fama foi fácil porque sempre tivemos a perfeita noção de que seria passageira, efémera. Nunca tirámos os pés do chão. Com a mesma humildade qb com que vamos hoje a um programa de memórias, íamos ao tempo aos programas de top.


5. O famoso “beep” foi ideia de quem?

O beep foi ideia da editora, resguardaram-se atrás do politicamente correcto, e fomos no engodo. Afinal, hoje percebe-se que foi um golpe de marketing. Dos discos com beep, pouco ou nada se vendeu. As 99 mil cópias sairam essencialmente da versão sem censura.


6. O Carlos disse, em tempos: “o 'boom' foi também muito incentivado pelas editoras, porque isso lhes dava uma maior escolha sobre aquilo que decidiam gravar ou não. Quantas mais houvesse, mais havia por onde escolher". O Grupo de Baile foi uma das vítimas desse papel das editoras?

Pois, também mas não só. O maior problema foi na hora de decidir o profissionalismo a tempo inteiro para todos. e metade do grupo já o fazia nas bandas militares. arriscar não foi o que se decidiu e por consenso o grupo acabou.


7. “Estória linda” teria outro espaço, não fosse o esvaziar do ‘boom’ e o afastamento dos media e público do fenómeno?

Estória Linda e tantos outros temas que tinhamos em carteira perderam a sua oportunidade de brilhar quando o "Patchouly" foi sugado até ao tutano para render mais e mais. Quando apareceram as outras estórias que o Grupo de Baile tinha para contar já o público estava noutra.


8. Projectos, hoje?

Projectos hoje na música só encontros fortuitos com alguns elementos da banda para nos divertirmos.


9. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Deolinda e sempre, mas sempre XUTOS!


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Entrevista efectuada por e-mail, em Maio de 2010.
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.