[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS
Ficam então aqui as duas respostas-extra, em jeito de página 2.

António Luís Cardoso


Pizo Lizo
em entrevista, parte II.

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Esteve um trabalho para um LP pronto, que se chamava "Daqui a Mil Anos"

Concerto Pizo Lizo

Concerto ao vivo (gentilmente cedida por João Paulo Levezinho).
Nota: é, seguramente, o mesmo concerto (no Pavilhão do Cevadeiro, em 20 de Dezembro de 1981) referido numa das fotos com link na entrevista, parte I.



I. Já escrevi no museu (ver aqui) que a voz dos Pizo Lizo antecipa em Portugal um registo que, mais tarde, encontramos em Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta. O que acham os Pizo Lizo?

Respondem assim:

Refere-se o António a um registo de voz único, com alguma graça e com tom de realidade também, evidenciando dificuldade em se conseguirem quer os materiais, quer a matéria prima, digo, quer os gira-discos quer os discos, talvez por isso bandas e grupos que nasciam com estruturas alicerçadas em anos de execução, treino e inspiração bebida, através de influencias dos "feudos" roqueiros, com "domínios" muito próprios nas suas várias características e com cunho pessoal (quem não distinguia de imediato o som único de Gary Glitter, quer pela batida acústica "ensurdada" da bateria quer pelo wauwau com reverb da guitarra rítmica, ou o som Único também do teclado de Jonh Lord dos Deep Purple embuído pelo classicismo vanguardista de um génio, com os anjos da guarda de Bach, nos dedos, e a alienação do Espírito de Hendrix, na substância da partitura, a flauta de Jethro Tull, o solo vocal de Zepellin, o timbre – também ele único – de Black Sabath... desculpe, ponho-me a galopar com o raciocínio e passo a fronteira do que me é colocado, tudo isto caro António, para o fazer reflectir que não é acefalia pensarmos, que, se o vocalista dos Pizo Lizo, sempre fez parte integrante desse grupo, e o registo de voz encontrada nos Mão Morta tenha similaridade, é ponderável que tenha havido alguma "inspiração" por parte da nossa Banda a esse grupo, o que aliás, era comum na época, encontrarmo-nos entre grupos, e partilhar, e "curtir" experiências.
Foram tantas as vezes que privámos com Go Grall Blues Band, os elementos dos Salada, os Trash, os Aranha, entre outros.


II. Nas biografias espalhadas pela Web , João Melo tem sido referido como elemento da banda. Mas no single, não aparece. Como se explica tal? Primeiro, a resposta com o ‘line-up’ do disco, depois a resposta à dúvida:

Mário Pimenta: vocalista e guitarra baixo

Carlos Peru: baterista

(estes dois asseguravam a secção rítmica...)

Rui Gouveia: guitarrista/solista (secção melódica)

Alfredo Zé: 2ºguitarra baixo (solista- tocava em oitavas justas, e secção harmónica)

Como deve calcular, quando o instrumentista da voz se calava para dar lugar ao solo da guitarra do Rui, sobravam uma bateria e duas guitarras baixo,... era aqui então, que acontecia a magia, a maravilhosa harmonia, a paixão do nosso som Metal consolidado no balanço do Rock (sem ferrugem)... até porque apenas havia mais uma banda no mundo a fazer isto, imagine então... a bateria ritmava com o balanço do Carlos, numa dança envolvente do baixo melódico e firme do Mário em desafio com o baixo rítmico que que o Alfredo desbundava, por vezes dedilhado.
Esteve um trabalho para um Long Play pronto, que se chamava "Daqui a Mil Anos", com poesia musicada de António Aleixo, do livro: Este livro que vos deixo, com temas como: Tens um diabo no olho, A Rosa das sete saias, Leve pluma, Menino do bairro da lata; e foi uma pena de facto o desentendimento absoluto da banda, e a não concretização desse trabalho discográfico.


Quanto ao nome João Melo, surge quando o grupo de desmembrou por algumas razões políticas, e se refez com o Carlos e o Mário num projecto inovador com o João Melo nas teclas e voz, o Nélito na guitarra e a Manuela Pilar como solista de voz (esta menina faleceu precocemente, mas para fazer ideia, era executante soprano de trechos clássicos e membro integrante de vários grupos corais, nomeadamente o da Gulbenkian, o Grupo Coral da Soc. Euterpe Alhandrense). Qual a ideia? Desenvolver Classix Noveaux com umas pinceladas de Heavy-Metal, pena não terem sido publicados trabalhos como "Fábrica ", " Coca-Cola", entre outros, curiosa a linha que o João, sempre com um espírito acutilante, desenvolveu nos Fúria do Açúcar, que é algo num prolongamento dessa experiência connosco, mas mais elaborado e actual, até porque houveram alguns espectáculos com essa formação, mas terminou ao fim de dois anos. A breve/curto trecho iremos documentar através de fotografia, e poderá ouvir no nosso Blog esses temas, pois estamos a converter de fita magnética de má qualidade que irá ficar à disposição do Carlos que é claramente o informático, bem como espectáculos que fizemos onde existem temas anónimos, de improviso sobre sete tons, por exemplo quando tocámos com Rick Wakeman, ainda na anterior constituição.
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Entrevista efectuada por e-mail a Carlos Perú e Mário Pimenta, em Maio de 2010.
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.