[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Iodo, outra banda de Almada, foram daquelas bandas que prometiam uma expectável evolução; o som dos singles, que Jorge Trindade (guitarrista) destaca na entrevista, é electrizante. Havia ali rock com cunho próprio, entre actuações vibrantes, bons instrumentistas e um som rasgado por um característico piano. Quanto ao álbum, concebido por uma banda entretanto reformulada, apesar de conter propostas de facto muito interessantes, tem lacunas técnicas de gravação, a exemplo de vários do rock de então. Os Iodo não resistiram.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Poster na "Música & Som", 1981

Iodo em 1981

Publicidade a concertos dos Iodo, 1981



Ver destaques no museu:




Ver singles no museu:

Iodo - 'Malta à porta' / 'Aqueles dias', Vadeca, VN-2030ES
Iodo - 'A canção' / 'Pedro e o lobo', Vadeca, VN-2037 ES Ver o LP no museu:

Iodo
Rui Jorge Trindade
em entrevista.

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O verdadeiro som Iodo, encontra-se
nos singles



1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

Muitas. Algumas imaculadas, pois afinal tocar-se o que nós mesmos compúnhamos, termos o nosso próprio público, passarmos na rádio, ir à tv, sermos n.º 1 nos tops, é sempre o culminar de um sonho. Pelo que as memórias permanecem, num blogue [ ver aqui ] que fiz para o efeito, sobre os Iodo, em recortes das publicações e na memória de cada um de nós.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Na minha opinião, o chamado rock português já existia antes dos hits Chico Fininho e Cavalos de Corrida, o que aconteceu, foi que as editoras abriram as portas de um mercado até ali, por explorar. Lembro-me de muito antes do boom assistir a bons concertos dos Tantra e dos Beatnicks (com a Lena d'Água) por exemplo, e aquilo que se ouvia, já era rock. A escolher, entre os dois, escolheria, os UHF, não o Tó Ribeiro apenas, porque a restante banda, decerto não sairia rock. O Rui Veloso, cuja obra venero e toco muitos temas, nas prestações acústicas que vou fazendo por aí, considero-o mais baladeiro e R&B, do que roqueiro.


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

O disco: o Manicómio, o nosso LP, que apesar de muitos defeitos, era o nosso. A banda: Jáfumega


4. Numa entrevista ao museu do boom, o ano passado, disse: “No entanto o verdadeiro conceito do som Iodo, encontra-se camuflado no LP Manicómio, que está mal misturado, e na época lembro-me de ter usado a expressão "amaricado". O que correu mal?

Penso que a fase da mistura, em que foi retirada toda a pujança que a banda transmitia em palco. É notória a diferença dos temas, no LP, e nas gravações em cassete, que ainda possuo, com esses mesmos temas.
O verdadeiro som Iodo, encontra-se nos singles, e no LP, talvez o único tema que se aproxima, é o Expiração de Um Louco.


5. Disse ainda: “O boom colocou o Iodo onde nunca pensaríamos, pelo menos com um timing tão curto, e por ser boom, e repito, volátil, o mesmo boom sentenciou muitas bandas”. Nunca equacionaram um regresso?

Por vezes fala-se nisso, mas as pessoas seguem rumos diferentes. Recentemente por ocasião do aniversário do Rui Madeira, conseguimos juntar alguns elementos, e preparamos novo encontro, onde se tentará que todos estejamos presentes, todos, significa todos os que passaram pela banda. Também recentemente, me reuni com o Rui e o Luís Cabral, no meu estúdio, onde revivemos os temas, bem como os tocámos na referida festa. Talvez na próxima a malta se entusiasme, e avance. Até tenho alguns temas na manga.


6. Os Iodo eram conhecidos pela sua irreverência em palco e, em particular, pelas encenações e um vocalista endiabrado. Como eram esses concertos?

Muitas vezes, eram imprevisíveis lá para o final. Havia um tema bem longo, onde cada elemento podia "brilhar" e por isso dar largas a alguma loucura. Daí nasceram alguns rituais, tais como incendiar um orgão em pleno palco. É essa garra e loucura que não aparece no LP.


7. Que canção e/ou disco dos Iodo escolheria como um filho dilecto?

O Malta à Porta, porque foi o nosso sucesso, e é um tema com alguma originalidade, sem refrão, e com vários fragmentos colados, fruto da nossa ireeverência musical, da liberdade que nos foi dada de o gravar, apesar dos cortes inevitáveis de estúdio.


8. Projectos, hoje?

Continuo a tocar a solo. Acústicos em pequenos espaços. Canto e toco essencialmente covers de quem gosto, do Rui Veloso; Jorge Palma, Sérgio Godinho, Xutos, Sétima Legião, e por aí. Se aparecer uma oportunidade de banda, porque não...


9. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Rodrigo Leão

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Entrevista efectuada por e-mail em Maio de 2010.
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.