[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS
Luís Pedro Fonseca em entrevista aqui.

A Lena d'Água há-de ser sempre, para uma geração inteira, a nossa rocker. A cantora que nos colocou a ouvir rock em português no feminino, primeiro com os Salada de Frutas, e, depois, a solo (num primeiro momento com a Banda Atlântida) – acompanhada por esse brilhante compositor, Luís Pedro Fonseca, que também concede hoje uma entrevista ao museu. Mas, já antes, nos anos 70, havia colaborado com os Petrus Castrus, no segundo álbum, "Ascençao e Queda", e participado num projecto de música infantil. Em 1989, deixou-nos uma belíssima homenagem a António Variações, no LP "Tu aqui" – com cinco inéditos do músico minhoto –, e, ultimamente, tem uma incursão admirável no jazz, de que resulta um cd ao vivo no (malogrado) Hot Clube.

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Lena d'Água em 1981

Entrevista em Julho de 1986 - parte I"

Entrevista em Julho de 1986 - parte II

Capa da "Música & Som"

Ver destaques no museu:

Ver singles no museu:

Salada de Frutas -
							'Como se eu fosse tua' / 'Shuy the shock', Rossil, ROSS 7071 Salada de Frutas - 'Robot' / 'Armagedom', Edisom, 501 
							403 Lena d'Água - 'Vígaro cá, vígaro 
							lá' / 'Labirinto', Valentim de Carvalho, 1VCS 1009 Lena
							d'Água & Atlântida - 'Perto de ti' / 'Da noite', Valentim de Carvalho, 1VCS 1026 Lena
							d'Água & Atlântida - 'Demagogia' / 'No fundo dos teus olhos d'água, Valentim de Carvalho, 1VCS 1035' Lena
							d'Água - 'Jardim Zoológico' /'Papalagui' (1983), Valentim de Carvalho, 1VCS 1047 Lena d'Água	- 'Sempre que o amor me quiser' / 'Lusitânia', 1984, EMI-Valentim de Carvalho, 1775397
Ver LPs no museu:

Lena d'Água
em entrevista.

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Andei sempre fora do “tempo certo”
da maioria



1. A passagem pelo teatro, os Beatnicks, a colaboração com os Petrus Castrus e a experiência musical no universo infantil foram uma mais valia quando se deu aquela loucura de inícios de 80 no rock luso?


Tudo se deveu ao 25 de abril. Com o saneamento dos professores na faculdade que eu frequentava deixou de haver aulas e eu fiz-me à vida. Fiz parte de um grupo de teatro independente e levámos à cena o “Ou isto ou aquilo” – cujas canções gravei em 92 e que podem agora ser ouvidas no blogue http://aguaparacriancas.blogspot.com, conheci o Ramiro Martins que veio a ser meu marido (de regresso a Portugal depois de dois anos na Bélgica por causa da guerra colonial), matriculei-me na Escola do Magistério Primário onde fiz o curso de professora do básico - as crianças chamavam-me a Lena da música...e depois do nascimento da nossa filha entrei nos Beatnicks, onde o Ramiro era o viola baixo e eu segunda vocalista. A colaboração com os Petrus Castrus foi, creio, o primeiro registo gravado da minha carreira de cantora. Com os Beatnicks eu não cheguei a gravar.


2. Sabendo da sua apetência pelo jazz, como reage quando se referem a si como a ‘rocker portuguesa’?


Fui a primeira, acho normal.


3. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?


Muitas fotos, muitas viagens, muitos músicos com quem mantenho amizade e a cumplicidade de tantas aventuras “on the road”. E uma data de vinis ;)


4. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Precisa mais de mãe, mas este país machista sempre ignorou essa peça fundamental... O pai do rock português é o José Cid, o António o filho mais velho e o Rui o filho mais novo...


5. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?


O “Sem açúcar”, da Salada de Frutas, 1980 – que nunca foi editado em CD


6. O percurso musical da Lena tem sido ecléctico. Foram os discos certos no tempo certo?

No meu tempo certo, sim. Mas andei sempre fora do “tempo certo” da maioria...



7. E hoje, qual a música moderna portuguesa que ouve?


A que a rádio permite que se ouça, e infelizmente também aí as coisas continuam mal. E via net lá vou seguindo algumas novidades. Há anos que deixei de comprar discos.


8. O jazz é o futuro musical da Lena?

O jazz tem sido minha escola desde os anos 70. A primeira década deste milénio foi para mim a prática dos conhecimentos que fui adquirindo ao longo dos anos – desde os festivais do Luís Villas Boas em Cascais. Tocar com músicos incríveis como o João Moreira ou o André Fernandes foi uma grande honra e uma tremenda satisfação. Brincar com o tempo sem perder o fio à meada, fazer de cada actuação uma actuação diferente, cantar cada frase com a respiração do grupo, cada palavra com o sentido mais profundo e sempre renovado pelos imprevistos do improviso, isso é para mim o jazz. E isso fica comigo para sempre.
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Entrevista efectuada por e-mail, em Abril de 2010.
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.