[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS

Os Táxi cometeram a proeza de ganhar o primeiro disco do rock português com o álbum homónimo de estreia. Editado em 1981, ultrapassará o sucesso de Rui Veloso que com 'Ar de rock' (de 1980) só depois chegará ao galardão máximo (a platina só começará a ser atribuída anos mais tarde). O álbum está repleto de canções de sucesso e dele poderiam ter saído mais singles. Repetem o êxito com o LP "Cairo", uma das capas mais míticas da música portuguesa. Regressaram em 2009, com "Amanhã", mais de duas dezenas depois do último trabalho, "The night" (1987), cantado em inglês. Aqui ficam as palavras dos autores de "Chiclete".

António Luís Cardoso

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Memorabilia:

Crítica ao LP "Táxi" e entrevista à banda, jornal "Sete"

Capa da entrevista ao Sete

Os Táxi em 1981



Ver os LPs no museu:







Táxi
em entrevista.

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Teria sido bem melhor que pudéssemos respirar entre os álbuns


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?


Muitas e boas. Em especial os grandes concertos que se davam com os poucos meios existentes na altura e o entusiasmo de Portugal ao receber um tipo de música, que já conhecia, mas agora era cantado em português e com letras que todos compreendiam.


2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro? (E, já agora, os Táxi, dariam uns bons “pais do rock português”?)


Se a paternidade do “boom” sempre foi atribuída (e bem) ao Rui Veloso, para quê agora, 30 anos depois, fazer testes de paternidade?


3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?


TAXI dos TAXI, claro!


Número especial da 'Música & Som', sobre o rock português
4. Tendo sido das bandas mais mediáticas do boom, cujas músicas ainda hoje resistem ao tempo, na rádio e na memória de todos, preferiam ter crescido de outra forma, sem pressões editoriais?

Olhando agora para o passado e para esses tempos iniciais do “rock em português“, em que, por necessidades editoriais, éramos quase “obrigados” a compor durante as tournées, teria sido bem melhor, tanto para nós como para as editoras, que não houvessem tantas pressões e que pudéssemos respirar entre os álbuns. No entanto e como é usual dizer, “prognósticos no fim do jogo”…


5. “The night” é um regressar ao propósito inicial da banda, cantar em inglês, como já havia acontecido com os embrionários Pesquisa e o projecto do 1.º álbum?


Capa The Night
The Night foi um álbum pensado e composto para o mercado internacional, dando continuidade à tentativa de internacionalização, que era, na verdade, o projecto inicial da banda. No entanto, a nossa aposta não foi bem acompanhada pelos que a deviam ter acompanhado na altura e o álbum nunca foi muito conhecido.


6. Como surgiu a ideia da lata na edição do “Cairo”?

A ideia da lata surgiu por sugestão da editora, que por sua vez a copiou de uma edição que tinha ocorrido em Inglaterra, de uma outra banda (se não estou em erro dos PIL). É claro que achamos a ideia fantástica e a aceitamos imediatamente.


7. “Amanhã”: matar saudades ou um novo fôlego?


Um novo fôlego sem dúvida nenhuma. Um TAXI mais crescido, que perdeu a sua inocência inicial.


8. O que podemos esperar dos novíssimos Taxi?

Boas músicas e bons concertos cheios de força.


9. Que música moderna portuguesa ouvem, actualmente?


TAXI é formado por 4 elementos, com gostos musicais muito diversos, que abrangem os mais diferentes tipos de música. Mas todos nós ouvimos muita música portuguesa.

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Entrevista efectuada na rede "Facebook", em Maio de 2010.

Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.