[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS
E acabou? (parte II)Ver parte I


© António Luís Cardoso
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Noutro contexto, 1982 será o ano dos LPs, com mais de trinta edições (número ímpar no panorama nacional) no contexto da música moderna. Muitas bandas verão vedado o sonho do LP, como aconteceu ao Grupo de Baile (entrevista a Carlos Manuel Tavares, vocalista, a publicar no dia 19 de Junho) e aos Sui Generis – que ainda assim, lançam uma cassete. Também nos confidenciam Mário Pimenta e Carlos Perú, dos Pizo Lizo, haviam canções para tal formato (entrevista a publicar no dia 18 de Junho).

Porém, outras bandas e/ou músicos lançam o seu primeiro álbum, depois da experiência em 45 rotações: CTT, Iodo, Manuela Moura Guedes, Street Kids, NZZN, Ferro & Fogo, GNR (já com Rui Reininho), Xutos & Pontapés, etc. Destes estreantes em 33 rotações, só os dois últimos singrarão, como se sabe.

Nasce, ainda em 1982, um aclamado projecto de música experimental, Telectu, que, segundo um dos seus mentores, Vítor Rua (igualmente fundador dos GNR), nada tem a ver com o rock (entrevista no dia 15 de Junho, no destaque GNR).

Em 1983, ainda há alguns resistentes e António Variações continua o seu percurso com ‘Anjo da Guarda’ (que acabará precocemente no ano seguinte, durante a promoção do seu 2.º LP, “Dar & Receber”).

Novos projectos em áreas muito distintas gravam discos, como Sétima Legião, Ópera Nova ou Tó Neto (ainda hoje activo e em destaque, com entrevista no dia 20 de Junho).

A par dos citados GNR e Xutos & Pontapés construíram carreira para além do ‘boom’, nomes como o Rui Veloso, UHF, Lena d’Água (conhecida como 'a rocker portuguesa', mas para quem o jazz tem sido uma "escola desde os anos 70", como nos diz em entrevista, a publicar no dia 14 de Junho) e os Heróis do Mar (que fecham a actividade em em 1989). Mas também Fernando Girão (num registo a que hoje se apraz chamar de ‘world music’), Da Vinci, Mário Mata e Trabalhadores do Comércio foram gravando e tendo percursos próprios. Uns mais consistentes do que outros.

E muitos continuaram ligados à música, como essa autêntica instituição de excelentes músicos que foram os "Salada de Frutas" (Nabo, Ponte, Inês, Quico e Carrapa), músicos que já tinham percurso antes do 'boom'. Também outro ‘salada’, Luís Pedro Fonseca – que já havia pertencido a uma banda mítica nacional, anos antes, os 'Chinchilas' e fará sucesso ainda ao lado de Lena d'Água –, continua, como nos confidencia em entrevista a publicar no dia 14 de Junho, muito activo. E igualmente Carlos Maria Trindade (entrevista no dia 23, Heróis do Mar), o polivalente Pedro Ayres Magalhães, Vítor Rua, Luís Portugal e os irmãos Barreiros (Jafumega), etc., etc.

O 'boom' acabou – ter-se-á mesmo esgotado em 1982. Mas, apenas em parte, porque as sementes ficaram e germinaram, possibilitando ainda que muitos projectos pudessem nascer, mais naturalmente, numa segunda geração de 80's: Rádio Macau, Sétima Legião (que ainda gravam ‘Glória’ no rescaldo do ‘boom’), Mler Ife Dada, Pop Dell’Arte, etc., fazendo com que a música moderna nacional passasse a existir de modo mais regular.

Páginas centrais da Música & Som especial sobre o rock português






Páginas centrais da Música & Som especial sobre o rock português (Agosto de 1981).
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