[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS
E acabou? (parte I)Ver parte II


© António Luís Cardoso
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Da primeira vez que estivemos em Portugal, abriu o nosso espectáculo o grupo... quê... Ananga sometinhg ... isso, Anangaranga [nota: assim mesmo escrito na revista], pareceram-me bons, gostei. Há, a propósito, uma coisa que queria dizer: perturba-me que todos os grupos, ou quase todos, sejam suecos ou portugueses, franceses ou japoneses, cantem em inglês. Por que é que não canta cada um na sua língua? Por que é que não se assumem, musicalmente, como nacionalidade. A minha opinião é que este é um caminho a tomar. Os êxitos aparecerão, desde que haja valor.
John Watts, dos Fischer-Z,
ao Sete n.º 129, 26 de Novembro de 1980.


Ontem como hoje, a questão recorrente se os grupos portugueses devem ou não cantar em inglês. Ponto de vista curioso, o de Watts, uma vez que esta questão costuma ser nacional e não preocupar muito outrem.

Independentemente da razão que assiste a quem opta por uma ou outra solução – e vários fizeram as duas ao longo dos anos –, a época, numa altura em que despontava rock de sucesso cantado na língua lusa, parece conferir algum sentido às palavras do líder dos Fischer-Z.

E, como sabemos, de 80 a 81, os grandes sucessos do ‘boom’ foram todos em português. É certo que alguns grupos que cantavam em inglês ainda se mostraram: Go Graal Blues Band, Street Kids ou Roxigénio. Mas, já em 1982, os Street Kids gravam o seu LP, “Trauma”, em português. E, mais tarde, primeiro o Garcez (dos Roxigénio), com o projecto Stick, e depois, Paulo Gonzo, a solo, gravarão em português.

Foram respostas ao desejo do mercado.

Também é certo, como nos dirão os Táxi (em entrevista a publicar no dia 13 de Junho), que cantar em inglês significava tentar o mercado internacional. É certo, entretanto, The Gift, Blind Zero ou, principalmente, Moonspell, conseguiram, de facto, furar as fronteiras, cantando em inglês. Porém, o tempo tem mostrado que cantar em português pode conquistar o mundo; já havia sido assim com Amália Rodrigues, depois com Madredeus e Dulce Pontes, bem como mais recentemente com nomes como, Mariza, Ana Moura ou Buraca Som Sistema.

Mas, naqueles anos loucos em que o mercado português se organizava (nas diversas áreas, dos concertos às editoras) para absorver o rock nacional, a língua portuguesa predominava. E é em português que, em 1982, surge um furacão que dá pelo nome artístico António Variações, com um single e máxi-single ostentando um (curioso) duplo lado A: “Estou além” e “Povo que lavas no rio”.


Capa com Salada de Frutas
Capa com Zé Nabo (Salada de Frutas), 
							n.º 71 da 'Música & Som', de Março de 1982
Capa com os UHF, n.º 73 
							da 'Música & Som', de Maio/Junho de 1982
A revista "Música & Som" publica entre Junho de 1980 e Dezembro de 1982 apenas 5 capas sobre o rock português e, isto se contarmos com a edição especial que fazem sobre a 'bomba' que caiu no meio musical nacional, com os Táxi (a capa publicada ontem, 8 de Junho, aqui). Os outros são: Rui Veloso (capa publicada também aqui, no dia 7), UHF e – curiosamente – duas vezes Salada de Frutas, uma com a banda e, outra, com Zé Nabo. Estas duas repetições, têm a particularidade de ser seguidas, n.ºs 70 e 71, de Fevereiro e Março, respectivamente. Na primeira edição, justificava-se pela entrevista à banda e, na segunda, foi uma foto de concerto, no contexto dos prémios entregues pela publicação.


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