[O meu] Museu do Boom do ROCK PORTUGUÊS
Rock a fervilhar por todo o rectângulo

© António Luís Cardoso
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Vários estudiosos e melómanos (e, inclusive, músicos) já fizeram uma analogia entre o que se passou na música portuguesa de início de 80 e a revolução dos cravos, uns anos antes. Não é descabido de todo, se pensarmos que o país tentava – como popularmente se dirá – "apanhar tudo com as mãos ambas", se entendermos o "tudo" como o conhecimento, cultural e outro, antes censurado e/ou vedado. A revolução, agora, era cultural. E a música endiabrada que é o rock, se já existia antes em Portugal através de bandas e músicos persistentes, tinha agora, também, um público emergente e ávido de música eléctrica nacional.

E depois de Rui Veloso, os UHF, os Salada de Frutas, os Táxi e outros mais ou menos pioneiros, vieram centenas... tantas centenas que, ainda hoje, se vão descobrindo singles de projectos que não se julgavam existir. Consultando as publicações da época, também por lá aparecem notícias sobre grupos, ora a gravar, ora a editar e que são uma surpresa. Enfim, a contabilidade ainda se fará um dia, decerto.

Num ápice se chega ao tal Verão Quente da música, em 1981. É o auge do rock nacional: singles e mais singles, concertos, festivais, concursos, programas de rádio e televisão; nascem projectos editoriais – e, também aqui, há lutas de Golias versus David –, empresas de som e agenciamento, grupos que se reunem (como o liderado pelos UHF, Grupos Rock Reunidos), bem como novos espaços – abrindo em Lisboa o emblemático Rock Rendez-Vous.

Diz-nos Carlos Tavares, do Grupo de Baile (em entrevista que será publicada aqui no dia 19), que a banda se apercebeu tratar-se de uma fama efémera. Muitos terão essa percepção e, outros, pensarão – com a legitimidade do sonho e da paixão pela música –, que poderiam fazer uma carreira. Aqui, também, vingarão uns poucos e a maioria será atropelada por um mercado que, claramente, iria afunilar.

O 'boom' não é só uma revolução do rock nacional; curiosamente, ganham projecção grupos de música popular portuguesa, como os Terra a Terra ou, num contexto mais alargado (de fusão?), os próprios Trovante, beneficiando de uma onda organizativa do meio, quer quanto aos profissionais das editoras, como também de som, agentes, etc.; tudo ainda incipiente e a tomar forma, mas já em movimento.

Mas, nesse Verão quente de 1981, vingava o rock. Por enquanto, rei.

Capa
Adelaide Ferreira
(Música & Som, Agosto de 1981)



Capa
A banda de heavy-metal NZZN
(Música & Som, Agosto de 1981)
Pub Vadeca
Pub UHF
Número especial da 'Música & Som', sobre o rock português
Capa do 
							n.º 170 do 'Sete', de 9 de Setembro de 1981, relatando a cisão dos Salada de Frutas
Capa com Salada de Frutas
Publicidade de bandas, agenciamento de bandas 
							e músicos conhecidos do 'boom' (Sete, 1981)
Publicidade da banda Rock & Varius 
							(Música & Som, Agosto de 1981)
Publicidade da editora Polygram  
							(Música & Som, Agosto de 1981)
Até 10 de Julho, também pode aceder à estrutura do museu, através dos links respectivos no menu à esquerda.