Destaque LP || Os 33 rotações do "Boom"
Rui Veloso

LP 11C 072 - 40 523
Editora: EMI - Valentim de Carvalho
Ano: 1980
Gravado nos estúdios RPE
Produção: António Pinho
Eng. Som: José Fortes

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Ar de rock
RUI VELOSO



Audição: Vinil


© António Luís Cardoso [01.Outubro.2009]





O disco
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Este é, ainda hoje, um grande álbum, tendo a maioria das letras a assinatura de Carlos Tê, então emergente escritor de canções e, passados estes anos todos, já um marco da música portuguesa. De tal modo é importante a sua participação que até "dá direito" a foto no "inner sleeve" (invólucro interior). E, na criação das letras não está nada mal acompanhado, pois duas – "Miúda (fora de mim)" e "Donzela Diesel" – têm como autor António Avelar Pinho (um dos mentores da Filarmónica Fraude e da Banda do Casaco), que também produz o álbum.
"Chico Fininho" é o pontapé para o "boom", mas "Sei de uma camponesa", "Afurada" e "Bairro do Oriente", por exemplo, são temas fantásticos, levando a que se cumprisse o estipulado na contracapa: "este disco deve ser tocado bem alto".
O álbum só será disco de ouro em 1981 (já depois do primeiro LP dos Taxi ter atingido tal galardão), mas Rui Veloso ficará – até para algum desconforto seu –, como o "pai do rock português".
É óbvio que já havia música moderna nacional, mas com um sucesso e aceitação tão esmagadores a que assistimos nos primeiros anos da década de 1980, nunca antes.
De referir, ainda a excelência dos músicos, o próprio Rui Veloso, o baixista Zé Nabo e o baterista Ramon Galarza. Aliás, durante algum tempo, o cantor portuense faz-se anunciar como "Rui Veloso e a Banda Sonora", tal como surge no verso da capa.
Uma curiosidade no disco que dá origem ao "boom" é a presença da dupla António Pinho e José Fortes, a qual, mesmo individualmente, estará ligada a inúmeros e posteriores discos de música moderna portuguesa (e não só).


A capa
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Uma foto a preto e branco com Rui Veloso e uma criança sentados num carro antigo, tendo o campo como cenário. Este ar antigo traz-nos um certo anacronismo provocatório com o conceito de música moderna; a tipografia é retirada do universo das máquinas de escrever (na altura máquinas ainda muito actuais e cuja fonte é agora disponível, nos meios informáticos, em diversas famílias, como a "Courier"). De destacar, no "inner sleeve", um breve diccionário para a "gíria" empregue nas canções.

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Em jeito de remate: a classificação que vou atribuindo aos discos serve apenas como referência, uma "bitola" pessoal que, diga-se em abono da verdade, tem muito mais a ver com uma saborosa nostalgia e gosto próprios do que qualquer opinião especializada.
museudobooom@gmail.com